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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

a crise e o rato


Na linguagem popular diz-se, "azar de uns, sorte de poucos". Nada parece mais claro para definir a vida em tempos de crise. Eu que sempre fui poupadinha, não tive sorte, mas não tive azar.

Portando, se antes eu só almoçava fora durante a semana uma vez, se muito, continuo a fazer o mesmo. Todos os dias levo a minha comidinha que sobrou, fria, feita em casa para o trabalho e será requentada lá e comida lá. Nada mudou para mim neste aspecto. Porém, entre minhas colegas venho notando uma grande afluência, reparada na maior espera diante do microondas. Se antes comiam fora, agora a cozinha requentada virou amiga diária de umas quantas.

Pois bem, azar delas, sorte dos ratos que até então não sobreviviam naquela cozinha. Como a limpeza não melhorou apesar do grande uso, cada vez os ratinhos aparecem mais, e mais gordos. E ninguém, para variar, tomou alguma providência.

Dia destes, quando fui buscar meu saco de papel onde guardo a "marmita" antes de ir embora, dou com o som do bicho enquanto eu passeava às escuras. "Oh, que nojo!" Ainda mais que o senti passeando por outras sacolas. Saí a correr, entrei no carro e caminhei apenas com a sensação ruim de ter estado no mesmo sítio que aquele bicho asqueroso.

Quando dou por mim, já a dirigir, depois de entrado na estrada, o saco se mexe. "Ah!", um berro. "Eu trouxe o bicho comigo!". Só não parei o carro ali mesmo porque era proibido. Na próxima saída retirei-me da estrada, mesmo com o saco voltando a inércia. Procurava no silêncio, ouvir quietamente qualquer barulho do bicho, mas nada.

No primeiro lugar adequado saio do carro. Pela outra porta, tiro o saco e jogo-o longe, na tentativa, senão, matá-lo, pelo menos deixá-lo meio tonto. Nada sai do saco. Quietamente, abro a ponta e não vejo nada, além dos talheres e do "tupperware". Viro-o para chão. De lá, nada de bicho, mas meu telemóvel que, a qualquer chamada, vibrava.

Moral da história? Esta coisa de crise pode até ser sorte do rato, mas certamente deixa nós humanos um bocado paranóicos.

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terça-feira, 4 de março de 2008

o meu rio


Quando se fala de Rio de Janeiro a maioria das pessoas tem como imagem as praias da Zona Sul onde ficam, por exemplo, os bairros de Copacabana, Ipanema, Leblon. Porém, o Centro tem lugares inesquecíveis que guardam a história da cidade. Aproveitando a comemoração da chegada da Família Portuguesa ao Brasil apresentarei dentro deste mês alguns lugares do Rio de Janeiro antigo, começando com os arredores da Santa Luzia.

A cidade do Rio de Janeiro propriamente dita nasceu em 1º de março de 1565 na Urca, mas se mudou para o Morro do Castelo anos depois para se proteger melhor de ataques. Um habitante de qualquer outra cidade poderia chegar ao Rio e perguntar a qualquer carioca onde fica o Morro do Castelo no Centro e, a probabilidade de receber um não sei como resposta é muito grande, outros poderiam até dizer que o visitante estaria enganado e que não existe o tal morro. Não que o carioca não conheça sua cidade, mas o tal morro hoje só existe mesmo em fotos antigas, assim como a praia da Santa Luzia que ficava em frente a Santa Casa de Misericórdia e da Igreja de Santa Luzia. Como um pode uma praia e um morro deixarem de existir? O morro foi desmontado entre 1921 e 1922, servindo de aterro para o que hoje conhecemos como o Aeroporto Santos Dumont e arredores, e a praia de Santa Luzia não existe mais, pelo mesmo motivo, o tal aterro. Assim, a cidade foi mudando e ganhou com este aterro mais 700 000m2.

Repare na foto acima o mapa da cidade antes do aterro. Comparem com a foto abaixo. Reparem que a Ilha de Villegaignon está bem próxima a terra, o aeroporto Santos Dumont. A área assinalada como morro do Castelo, na verdade é o largo do Castelo, e a ponta do Calabouço não existe mais. A área manchada, como a do aeroporto, foi os aterros feitos na cidade.


Na Santa Luzia fica a Santa Casa de Misericódia do Rio de Janeiro que foi fundada pelo Padre Anchieta em 1553. Lá o então Rei Dom João VI se tratou durante sua estadia na cidade no século XIX. Outra coisa curiosa é que o local ficava em frente a então praia de Santa Luzia. Hoje, em frente a Santa Casa, fica um quarteirão enorme com prédios e, principalmente, alguns consulados como o português e o francês. Nesta imagem feita por volta de 1858 por Victor Frond podemos ver todo o percurso da rua Santa Luzia com a igreja de Santa Luzia no canto à esquerda, o prédio enorme da Santa Casa no meio e no fundo o Morro do Castelo.
santa casa

Próximo post sobre o Rio Antigo: A Igreja de Santa Luzia

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quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

e a potência brasileira nasceu...


"Naquela manhã quente, seu Barroso levantou cedinho. Próspero comerciante carioca, ele tinha de ir até o Valongo, na zona portuária, examinar mercadorias recém-chegadas.

Mandou um escravo enrolar as esteiras onde havia dormido, enquanto outro colocava uma tábua em cima de dois cavaletes e trazia as gamelas com o almoço. Entre um bocejo e outro, Barroso mergulhava os dedos na papa de farinha e feijão-preto. Terminou de comer, limpou as mãos na roupa de algodão e, antes de ir para a rua, deu uma chinelada na ratazana que tentava invadir sua casa.

O comerciante precisou aplicar um golpe de bengala para atravessar a esquina - um bando de urubus estava distraído demais para lhe dar passagem, banqueteando-se com um cachorro morto na véspera. Numa rua estreita, Barroso passou por seu barbeiro, o mulato Sebastião, e se deteve um instante.

Suas hemorróidas estavam de matar. Seria o caso de pedir ao velho homem uma rápida aplicação de sanguessugas? Talvez uma outra hora. Mais alguns minutos e Barroso finalmente chegou ao Valongo, onde trocou uma bela quantidade de carne-seca e couro curtido por alguns negros trazidos da África"*.


A cena fictícia acima descrita retrata muito bem o que era capital do Brasil no início do século XIX. Nada mais que uma cidade tosca onde nada havia. Mais graças ao baixinho do Napoleão Bonaparte, tudo mudou para o Brasil, já que este homenzinho resolveu acabar com o sossego dos português. Isso provocou a já ultra-mega-mencionada fuga do princíupe regente Dom João - que este ano faz dois centenários - e de todo o aparato estatal português para cá, entre o fim de 1807 e o começo de 1808, que deu os primeiros passos para acabar com esse marasmo e acabaria por colocar a colônia, sem querer, no caminho da independência. Mas esta é uma outra história.

* As Aventuras da História

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sábado, 17 de fevereiro de 2007

os grandes portugueses

Os Grandes Portugueses foi lançado pela tv estatal portuguesa, RTP, baseado no grande êxito da BBC, "Greatest Britons". O concurso livre começou em outubro do ano passado e em janeiro deste ano foi publicada a lista dos 100 mais votados*. A segunda fase do concurso é escolher entre os 10 mais votados aquele que é o Grande Português de sempre. Aqui vai um resumo das personalidade:

D. Afonso I, mais conhecido pelo seu nome de príncipe, D. Afonso Henriques, (25 de Julho de 1109 — 6 de Dezembro de 1185) foi o primeiro rei de Portugal. Em virtude das suas múltiplas conquistas, que ao longo de mais de quarenta anos mais que duplicaram o território que o seu pai lhe havia legado, foi cognominado O Conquistador; foi o fundador do que hoje conhecemos como o território português. Os muçulmanos, em sinal de respeito, chamaram-lhe Ibn-Arrik («filho de Henrique», tradução literal do genitivo Henriques) ou El-Bortukali («o Português»).

Álvaro Cunhal foi opositor de Salazar e comunista, devido às suas ideias e à sua forte crítica ao Estado Novo, esteve preso em 1937, 1940 e 1949-1960 (ao todo, esteve preso durante 13 anos, 8 dos quais em completo isolamento). Em 1968 Álvaro Cunhal presidiu à Conferência dos Partidos Comunistas da Europa Ocidental, o que é revelador da influência que já nessa altura detinha no movimento comunista internacional. No dito encontro, mostrou-se um dos mais firmes apoiantes da invasão da então Checoslováquia pelos tanques do Pacto de Varsóvia, ocorrida nesse mesmo ano.

Salazar foi ministro das Finanças entre 1928 e 1932. Entre 1932 e 1968 foi o estadista que dirigiu os destinos de Portugal, com o cargo de Presidente do Conselho de Ministros (primeiro-ministro). Foi fundador e chefe da União Nacional (partido único durante o Estado Novo) a partir de 1931. Ele também foi o fundador e principal mentor do Estado Novo (1933-1974), substituindo a ditadura militar (1926-1933). Também exerceu o cargo de Presidente interino da República, mas somente no ano de 1951.

Aristides de Sousa Mendes GCC, (Cabanas de Viriato, concelho de Carregal do Sal, 19 de Julho de 1885 — Lisboa, 3 de Abril de 1954) foi um diplomata português. Ele recusou seguir as ordens do seu governo (o regime de Salazar) e concedeu vistos a refugiados de todas as nacionalidades que desejavam fugir da França em 1940, ano da invasão da França pela Alemanha Nazi na Segunda Guerra Mundial. Aristides salvou dezenas de milhares de pessoas do Holocausto. Foi o "Oskar Schindler português" (comparação pouco reconhecedora do facto de Aristides ter salvo um número muito superior de pessoas das de Schindler).

Fernando Pessoa é considerado um dos maiores poetas de língua portuguesa tendo seu valor comparado ao de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou-o, ao lado de Pablo Neruda, o mais representativo poeta do século XX. Por ter vivido a maior parte de sua juventude na África do Sul, a língua inglesa também possui destaque em sua vida, com Pessoa traduzindo, escrevendo, trabalhando, estudando e até pensando no idioma. Teve uma vida discreta, em que atuou no jornalismo, na publicidade, no comércio e, principalmente, na literatura, onde desdobrou-se em várias outras personalidades conhecidas como heterônimos . A figura enigmática em que se tornou movimenta grande parte dos estudos sobre sua vida e obra, além de ser o maior autor da heteronímia.

O Infante Dom Henrique, Duque de Viseu, (Porto, 4 de Março de 1394 — 13 de Novembro de 1460) foi um príncipe português e a mais importante figura do início da era das Descobertas, também conhecido na História como Infante de Sagres ou Navegador. O Infante D. Henrique foi uma personagem muito intrigante, com uma certa misteriosidade e muitos segredos. Também os seus motivos e os objectivos das suas navegações têm sido amplamente discutidos e diferenciados, mas, sem dúvida, foi o grande condutor da expansão ultramarina.

D. João II (Lisboa, 3 de Maio de 1455 — Alvor, 25 de Outubro de 1495), cognominado O Príncipe Perfeito pela forma como exerceu o Poder, décimo-terceiro Rei de Portugal, nasceu no Paço das Alcáçovas, no Castelo de São Jorge. Era filho do rei Afonso V de Portugal e de Isabel de Coimbra, princesa de Portugal. João II sucedeu ao seu pai após a sua abdicação, em 1477; no entanto, Afonso V retornou e logo D. João lhe devolveu o poder, e só se tornou de novo rei após a sua morte em 1481. João II foi um grande defensor da política de exploração atlântica iniciada pelo seu tio-avô Henrique. Os descobrimentos portugueses serão a sua prioridade governamental, bem como a busca do caminho marítimo para a Índia.

Luís Vaz de Camões (cerca de 1524 — 10 de Junho de 1580) foi o maior poeta de língua portuguesa e dos maiores da Humanidade. O seu génio é comparável ao de Virgílio, Dante, Cervantes ou Shakespeare. Das suas obras, a epopeia Os Lusíadas é a mais significativa.


Sebastião José de Carvalho e Melo, mais conhecido como Marquês de Pombal ou Conde de Oeiras, (Lisboa, 13 de Maio de 1699 — Leiria, 8 de Maio de 1782) foi um nobre e estadista português. Foi secretário de Estado do Reino (primeiro-ministro) do Rei D. José I (1750-1777), sendo considerado, ainda hoje, uma das figuras mais controversas e carismáticas da História Portuguesa. Representante do Despostismo iluminado em Portugal no século XVIII, viveu num período da história marcado pelo iluminismo, tendo desempenhado um papel fulcral na aproximação de Portugal à realidade económica e social dos países do Norte da Europa, mais dinâmica do que a portuguesa. Iniciou com esse intuito várias reformas administrativas, económicas e sociais.


Vasco da Gama (Sines, Portugal, 1469 — Cochim, Índia, 24 de Dezembro de 1524) foi um navegador português.
Em 2 de Março de 1498, completando o contorno da costa africana, a armada aportou a Moçambique, depois de haver sofrido medonhos temporais e de Vasco da Gama ter sufocado, com mão de ferro, uma revolta da marinhagem. Em 17 de Abril de 1498, avistou Calecute. Estava estabelecida a rota no Oceano Índico e descoberto o caminho marítimo para a Índia.


E você conhece algum? Já votou? Em que votaria?


Para saber mais:
Lista dos 100 mais.
Site oficial.

Fonte: Wikipedia

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