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quarta-feira, 11 de março de 2009

burgau, aproveitar na primavera, é preciso


Com a primavera aparecendo na temperaturas, o Algarve parece um destino natural. Melhor na primavera, sem as confusões veraneanas, e com temperaturas amenas para aproveitar. Neste mês de março, que vai a meio, indico um típico porto de pesca debruçado sobre o mar, num ambiente familiar e tranquilo, preferido pelos ingleses, o Burgau.

O Burgau é uma bonita aldeia situada no barlavento Algarvio entre Lagos e Sagres. Pertence ao concelho de Vila do Bispo, na freguesia de Budens. É considerada, por muitos, uma aldeia pitoresca e de pescadores mantendo ainda os traços e características típicas da zona em que se insere e do estilo de vida que se praticava, mas que no entanto ainda é possível ver por exemplo: os pescadores a "amanharem as redes".


A praia calminha e pequena é indicada para crianças por seu ambiente quase familiar. Também o lugar é muito freqüentado pelos apaixonados por mergulho, o Batelão do Burgau, fica há poucos quilometros da praia. E, para muitos, serve com um apertivo de mergulho porque as espécies vistas são pequeninas. Este batelão foi ao fundo depois de largar a sua carga "pedras" que ia da pedreira na praia de Cabanas Velhas, em Almádena, para o molhe de Portimão lá pelos anos 80.


A praia de Cabanas Velhas, muito próxima do Burgau, é também uma praia pequena e pouco frequentada, sendo mais utilizada como pesqueiro do que como área balnear. Tem umas arribas muito bonitas e ainda está lá o que sobrou da extração de pedras para o molhe de Portimão para ser visto e admirado.

O Burgau é aquele lugar ideal para passar um fim de semana a descansar. Aproveite o dia para tomar um cafezinho espetacular no Bar Brizze, a trinta metros da praia. Outro lugar para comer refeições ligeiras, enquanto aprecia a boa vista do local é o Varandas Bar. De mais, um passeio pela vila de ruas estreitas e aspecto picatório, vale minutos duma tarde aprazível.

Para dormir, uma visita a alguns sites nos ajuda a encontrar um apartamento para alugar no fim de semana. É que o Burgau não tem hotéias, mas opções são tantas que nem damos conta deste pequeno detalhe. Infelizmente isso também é um problema, é que o Burgau no verão enfrenta o mesmo problema que qualuer vila do algarve, a imensidão de gente. Então, aproveitar na primavera, é preciso.

Para maiores informações: www.algarvento.com/burgau

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

pequeno manual para turistas sobre portimão


Portimão é aquelas cidades médias com o charme duma cidade pequena, e a agitação turística dum local à beira-mar. Espécie de Búzios da costa algarvia, alia a cidade pesqueira e o cheiro de sardinhas nas ruas, com o melhor do tráfico de verão na mais conhecida Praia da Rocha. Hoje, esta ganha concorrência com a pequenina Praia dos Três Irmãos, que ganha adeptos nos turistas que vem para descansar.




Não, Portimão não é cidade para visitar museus, apesar de ter um aberto recentemente. Existem umas quantas construções interessantes para ver, tais como a Fortaleza de Santa Catarina, na praia da Rocha. De resto, o ideal é apreciar as praias, os restaurantes e as festas que o verão traz a cidade. Porque sim, o restante do ano a cidade costuma se não hibernar - apenas entrar na normalidade de ser cosmopolita sem o querer.

A noite da praia da Rocha é extremamente conhecida, mas se quiser apreciar a pequenês, o ideal é visitar a vila de Alvor, cheia de ingleses de noite de pubs, restaurantes e caipirinhas - sim, aqui você também bebe uma boa caipirinha. Para esquentar nas noites de inverno.


Ver mapa maior

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sexta-feira, 13 de junho de 2008

"sleeping village, cockerel's cry"


Já atacado por piratas, actualmente por turistas; exposto, no Inverno, a ventos fortíssimo, tempestades medonhas e ondas que galgando a fortaleza chegam a atingir a torre do farol; cercado de figuras lendárias como o mártir São Vicente, o infante D. Henrique e D. Sebastião: o Cabo de São Vicente, por si, já guarda grandes surpresas. Localizado na freguesia de Sagres, concelho de Vila do Bispo e situado no extremo sudoeste de Portugal continental, é local de culto desde o Neolítico, comprovado pela existência de importantes núcleos de menires e relatos de autores gregos do século IV a.C. de cerimónias religiosas, sendo, naquela época, proibida a presença de seres humanos durante a noite porque acreditava ser um local frequentado pelos deuses. No período em que os fenícios tiveram feitorias no Algarve, tem-se como certa a existência de um santuário dedicado às divindades solares de Hercules-Melcart, enquanto em Sagres existia um outro sob a invocação de Cronos-Saturno-Baal. Já para os romanos, toda área fazia parte do Promontorium Sacrum (de onde derivou o nome de Sagres), ponto extremo do ocidente, onde o Sol, no seu ocaso, fazia ferver as águas do oceano.


Sagres guarda esta atmosfera mítica e a beleza de seu litoral e evoca a aura dos Descobrimentos e a figura do Infante D. Henrique, o Navegador. Desde um passeio pela Fortaleza que fica no Cabo de Sagres, que guarda um Farolim, e o som das ondas a gritar das furnas. Até a paisagem da Costa Vicentina e as praias para quem curte surf, tudo é um convite a um passeio. E para completar, comer mariscos num dos pequeninos restaurantes de Vila do Bispo e caminhar pelo centro histórico desta vila encantada e sua Igreja Matriz.

E neste verão não perca o "Algarve Jazz", na primeira quinzena de Julho. Trata-se de um festival de jazz em toda a região que estará em recebendo em 06 de Julho os portugueses Mário Laginha e Maria João na Fortaleza de Sagres.

Para saber mais sobre o Farol do Cabo de São Vicente: Faróis Visto Por Fora

Foto do Farol: Dulce Nascimento
Foto de Vila do Bispo: Kyry Kyry Island's

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quinta-feira, 12 de junho de 2008

"no lindo lago de amor"


O pequeno Farol da Ponta da Piedade guarda uma bela vista, mas não a calmaria. É que este farol se encontra em ponto de rota turística pelas falésias de Lagos, freguesia de Faro, o que é comprovado por um café situado logo ao lado e uma loja de lembrancinhas. Um bom passeio ao redor é feito, mas algumas vezes com o incómodo de pessoas a andarem apressadas antes que saia o autocarro. Fora isso, nada parece destruir uma das mais belas paisagens algarvias com as formas das falésias, esculpida pelo mar e pelo tempo formando um cenário edílico recortado pelo azul esverdeado do oceano Atlântico.

A cidade de Lagos vale uma visita a pé ao seu comércio alternativo aos centros comerciais circundado pelos muros do Castelo dos Governadores que conserva pouco da sua construção inicial, tendo sofrido muitas alterações ao longo do tempo. Na Praça do Infante, onde uma estátua fixa o mar numa calçada trabalhada em ondas azuis, a Igreja de Santa Maria vira a sua fachada à esplanada. Também pode se apreciar a fachada do Armazém Regimental e o Mercado dos Escravos, espaços actualmente utilizados para exposições de arte. À direita, a rua que leva a uma das zonas mais antigas da cidade.


Como o verão é época de praia, aproveite para um passeio de barco para admirar as famosas falésias. Ou se preferir as areias, convido-lhe a conhecer a praia Dona Ana, turística, ou Boneca, pequenina, e fará o mesmo em terra. Entre 14 de Junho e 7 de Setembro, Lagos é um dos municípios que receberá o Programa ALLGARVE 08 Arte Contemporânea (os outros são Faro, Lagoa, Loulé, Portimão e Albufeira) que inclui sete exposições e envolvem 59 artistas portugueses e estrangeiros. No Centro Cultural de Lagos está prevista a exposição Mundos Locais: Espaços, Visibilidades e Fluxos Transculturais.

Para saber mais sobre o Farol da Ponta da Piedade: Faróis Visto Por Fora

Para saber mais sobre o Programa ALLGARVE 08 Arte Contemporânea: Turismo de Portugal

Foto do Farol: Dulce Nascimento
Foto de Lagos: Richard Elliott

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quarta-feira, 11 de junho de 2008

"my summer wine is really made from all these things"


Seguindo o nosso "especial" para visitas aos faróis do Algarve. Primeiro clarificaremos o que é um farol, e apresentaremos o Farol da Ponta do Altar que fica próxima da freguesia de Ferraguda e com vista a Portimão.

O Farol é uma torre dotada modernamente de um holofote potente, cujo facho de luz é visível a largos quilómetros para ajudar a navegação. Utilizados desde a antiguidade, quando eram acesas fogueiras ou grandes luzes de azeite (de oliveira ou de baleia), os faróis foram concebidos para avisar os navegadores que se estavam a aproximar da terra, ou de porções de terra que irrompam pelo mar adentro. Atualmente com os modernos sistemas de satélite, parece cada vez menos necessário os faróis, apesar deles serem muito utilizados e utéis, mas até quando ele funcionará, passado a ser apenas um edifício arquitectónico diferente, só o tempo nos poderá dizer.

Se falássemos de vista, a Ponta do Altar já tinha alguns pontos em frente aos outros faróis. Com falésias a formar enormes grutas, plantas bem adaptadas aos ventos constantes e zona de protecção especial para aves, principalmente colónias de corvos-marinhos, garças-boeiras e garças-brancas: tudo isso, já valia uma visita a esta área. Além disso, tem uma bela vista da praia da Rocha, Portimão e um farol diferente da maioria dos faróis portugueses. Uma pequena casa, é um daqueles faróis que certamente se confunde com um lar, sem o ser. Infelizmente, uma torre que controla o tráfego marítimo enfeia a vista do farol, mas lá, nada impede que se aprecie a vista.


Aproveite a visita e visite a calma vila de Ferragudo com seus restaurantes, sua pitoresca tranquilidade e seu catelo S. João de Arade. Em Portimão, cidade que fica do outro lado do Rio, aproveite para aproveitar os diversos eventos que estão a acontecer durante o verão. Durante o mês de Junho, por exemplo, estará acontecendo as festas dos santos populares sempre pelas 22:00 horas, nos dias 15, 21, 28 e 29, na zona ribeirinha de Portimão, na Mexilhoeira Grande, na zona ribeirinha de Alvor e na Praia da Rocha, respectivamente. Já em Agosto, acontece todos os anos o Festival da Sardinha na zona Ribeirinha de Portimão. Uma última dica, já que verão rima com praia, pode escolher entre a famosa praia da Rocha, ou quem prefere tranquilidade, a praia de Alvor.

Para saber mais sobre o Farol da Ponta do Altar: Faróis Visto de Fora

Foto do Farol: Dulce Nascimento
Foto de Ferragudo: José Manuel

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terça-feira, 10 de junho de 2008

"the edge of a dream all seems so real"



Comecemos nosso passeio pelos faróis do Algarve, neste segundo post, vamos conhecer um pouco do Farol de Alfanzina e da vila de Carvoeiro. Antes, expliquemos a constituição dum farol, que tem quatro elementos principais: um pedestal de tamanho variável, que é uma torre situada num promontório (falésia, elevação), construído em pedra, metal ou madeira; uma lâmpada que emite luz; um sistema óptico que reflecte essa luz até ao horizonte e uma lanterna, que protege a lâmpada e a óptica das intempéries.

Calmo, placidamente sob o mar do Algarve, este farol não é o mais bonito, nem o mais importante, ou mesmo o primeiro em qualquer coisa, mas é aquele que, de não encontrar, inventou a nós uma idéia, a de conhecer todos os faróis de Portugal. Da primeira vez, só vimos a sua luz a nos indicar. Somente numa segunda vez, de mapa na mão, o encontramos. É, ele não é muito sinalizado, mas sem dúvida nenhuma essa é até uma vantagem. Não o dividimos com muitos visitantes que sempre estão comumente ao redor dos faróis, e sempre apreciamos uma linda vista do mar e da costa do Algarve.

carvoeiro
O Farol de Alfanzina fica em Carvoeiro, na freguesia de Lagoa. Se o Farol, pequenino, rodeado pela vegetação rasteira próxima das falésias, não vale a visita, o espectáculo visual que é a rendilhada costa do Carvoeiro, onde as suas bizarras formações rochosas escondem dezenas de grutas e outras tantas praias desertas de acesso impossível certamente vale. Encravada perto dali está a simpática vila de pescadores do Carvoeiro, que, desde há uns anos, se transformou numa verdadeira atracção turística.

A povoação, muito branca e luminosa, dispôs-se em anfiteatro nas arribas circundantes, aliado aos coloridos barcos dos pescadores que partilham o areal com os banhistas, a primeira sugestão são os caminhos pedonais e miradouros existentes no topo das arribas oferecem oportunidades de passeio e magníficas vistas sobre o oceano. Outra dica fudamental é visitar as praias ao redor do farol e pela freguesia, eu recomendo a praia do Carvalho, próxima do farol, e a dos Caneiros. A última dica, se estiver no município durante o mês de Agosto, entre os dias 22 e 31, é visitar a Fatacil, a 29ª edição de Artesanato, Turismo, Agricultura, Comércio e Indústria, a maior feira e mais popular "feira" região.

Para saber mais sobre o Farol de Alfanzina e onde fica: Faróis Visto por Fora.

Foto Farol: Dulce Nascimento
Foto Carvoeiro: Hans-Peter Merten

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segunda-feira, 9 de junho de 2008

"there is a lighthouse five hundred yards down"



Não sei quando me apaixonei por faróis. O mais provável tenha sido que a paixão dum "outro" tenha contaminado a mim. E eu até já perguntei a este "outro" qual o motivo, mas ele não sabia, e eu fiquei a imaginar o meu motivo apenas. Talvez pela idéia de guia, não apenas da navegação, mas aquele que, indica os perigos e acidentes num percurso turbulento que é o mar e nos conduz com segurança até o objectivo. Seja por esta idéia, ou apenas pela beleza arquitectónica, esta semana este blog vai fazer um guia para quem quer conhecer os faróis do algarve português.

Começamos pela ponta mais distante do Sotavento, já na divisa com a Espanha, o Farol de Vila Real de Santo António não fica precisamente à beira-mar. Antes, é separado de seu amigo íntimo por uma mata de pinheiros que o rodeia. Ali, numa rua, passaria por uma grande vivenda, com seu cão de guarda a porta, se não fosse a grande torre, só isso denuncia este farol de bela arquitectura. E ali, junto aos pinheiros, perto do rio Guadiana, ilumina mesmo a distância a praia, de vastos areais e mar aparentemente calmo, de Santo António.

Vila Real de Santo António foi fundada em 1774, por ordem do Marquês de Pombal, a cidade foi construída em menos de dois anos sobre o areal junto à foz do Guadiana. O objectivo era o de controlar o comércio neste importante ponto de fronteira e desenvolver as pescas, que mais tarde fariam surgir a industria conserveira. Hoje é uma cidade virada para o comércio e turismo, tendo o privilégio de se encontrar na foz do Guadiana (que a limita a nascente), junto à praia (limite sul), ao pinhal (a poente) e à Reserva Natural do Sapal (a norte).

Depois de conhecer o farol, sugiro três passeios para completar o dia. O primeiro é uma volta pela Zona Histórica Pombalina. O traçado geométrico do urbanismo pombalino que fez nascer a cidade, constitui, hoje, a sua principal área comercial. As ruas confluem para a Praça Marquês de Pombal, com um obelisco central e quatro torreões pombalinos a marcar-lhe os vértices, onde se encontram os edifícios da Câmara Municipal e da Igreja Matriz. Outra dica é conhecer a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Encarnação, construída no séc. XVIII, que tem um bom conjunto de imagens do séc. XVIII, com destaque para Nossa Senhora da Encarnação, da autoria do escultor Machado de Castro. Os vitrais da capela-mor e do baptistério, instalados na década de 40, são da autoria do pintor algarvio Joaquim Rebocho. Para aproveitar o dia, a apenas 3 Km de Vila Real, visite a antiga vila de pescadores de Monte Gordo, situada entre um vasto pinhal e o mar foi pioneira na exploração turística no Algarve, com a construção de um dos primeiros hotéis da região nos anos 60. Com uma extensa e bela praia, um clima ameno e várias zonas pedonais, em calçada portuguesa, Monte Gordo é um dos principais destinos turísticos do Algarve.

Durante os dias 13 e 22 de Junho, aproveite na cidade o II Memorial Gastronómico de Vila Real de Santo António que estará em catorze restaurantes do centro. O evento consiste na recuperação e valorização da gastronomia típica local, apostando na diferenciação e valorização da gastronomia como componente atractiva da oferta económica da cidade.

Para saber mais sobre o Farol de Vila Real de Santo António e onde fica: Faróis Visto Por Fora

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segunda-feira, 10 de março de 2008

o museu histórico nacional no calabouço antigo

ponta do calabouço
Caminhando da Rio Branco até o fim da rua Santa Luzia, encontramos o ponto da cidade conhecido no passado como Ponta do Calabouço. A ponta do Calabouço avançava entre as praias de Santa Luzia e Piaçava. Por ter sido considerada uma área estratégica para a defesa da cidade, foi construída em 1567 a Batalha de Santiago por ordem de Mem de Sá. A construção foi ampliada em 1603 para se tornar o Forte de Santiago.

A região passou a ser conhecida pelo nome Ponta do Calabouço a partir de 1693 quando o Forte veio servir também de calabouço, prisão para castigar escravos, por ordem do Vice-Rei D. Luis de Vasconcelos em comprimento a duas cartas régias de março de 1688.

Em 1762, o Conde de Bobadela manda construir a Casa do Trem, destinada à guarda dos armamentos, ao lado do Forte de Santiago. Quando o Rio de Janeiro se transforma em capital do Brasil, foi construído, em 1764, junto à Casa do Trem, o Arsenal de Guerra, destinado ao reparo de armas e fabricação munições.

Nesta área, em agosto de 1922, por decreto do Presidente Epitácio Pessoa, foi criada o Museu Histórico Nacional que utilizou duas salas da Casa do Trem para a exposição em comemoração do Centenário da Independência, neste mesmo ano. Ao longo do tempo, o museu ocupou gradativamente todo o conjunto arquitetônico da Ponta do Calabouço.

O Museu Histórico Nacional abrigou o primeiro curso de museologia do país e serviu, também, como ponto de partida para a constituição de importantes museus brasileiros, passando a ser conhecido internacionalmente na década de 40.

o MHNO Museu Histórico Nacional (MHN) é um dos mais importantes museus do Brasil, reunindo um acervo de mais de 287.000 itens, entre os quais a maior coleção de numismática da América Latina.

Nesta foto de 1983, vista parcial do conjunto do Museu, a antiga Ponta do Calabouço, destacando-se a Casa do Trem. A restauração da década de 70 procurou devolver os traços originais das edificações, eliminando os elementos neo-coloniais e voltando à cor branca.

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terça-feira, 4 de março de 2008

o meu rio


Quando se fala de Rio de Janeiro a maioria das pessoas tem como imagem as praias da Zona Sul onde ficam, por exemplo, os bairros de Copacabana, Ipanema, Leblon. Porém, o Centro tem lugares inesquecíveis que guardam a história da cidade. Aproveitando a comemoração da chegada da Família Portuguesa ao Brasil apresentarei dentro deste mês alguns lugares do Rio de Janeiro antigo, começando com os arredores da Santa Luzia.

A cidade do Rio de Janeiro propriamente dita nasceu em 1º de março de 1565 na Urca, mas se mudou para o Morro do Castelo anos depois para se proteger melhor de ataques. Um habitante de qualquer outra cidade poderia chegar ao Rio e perguntar a qualquer carioca onde fica o Morro do Castelo no Centro e, a probabilidade de receber um não sei como resposta é muito grande, outros poderiam até dizer que o visitante estaria enganado e que não existe o tal morro. Não que o carioca não conheça sua cidade, mas o tal morro hoje só existe mesmo em fotos antigas, assim como a praia da Santa Luzia que ficava em frente a Santa Casa de Misericórdia e da Igreja de Santa Luzia. Como um pode uma praia e um morro deixarem de existir? O morro foi desmontado entre 1921 e 1922, servindo de aterro para o que hoje conhecemos como o Aeroporto Santos Dumont e arredores, e a praia de Santa Luzia não existe mais, pelo mesmo motivo, o tal aterro. Assim, a cidade foi mudando e ganhou com este aterro mais 700 000m2.

Repare na foto acima o mapa da cidade antes do aterro. Comparem com a foto abaixo. Reparem que a Ilha de Villegaignon está bem próxima a terra, o aeroporto Santos Dumont. A área assinalada como morro do Castelo, na verdade é o largo do Castelo, e a ponta do Calabouço não existe mais. A área manchada, como a do aeroporto, foi os aterros feitos na cidade.


Na Santa Luzia fica a Santa Casa de Misericódia do Rio de Janeiro que foi fundada pelo Padre Anchieta em 1553. Lá o então Rei Dom João VI se tratou durante sua estadia na cidade no século XIX. Outra coisa curiosa é que o local ficava em frente a então praia de Santa Luzia. Hoje, em frente a Santa Casa, fica um quarteirão enorme com prédios e, principalmente, alguns consulados como o português e o francês. Nesta imagem feita por volta de 1858 por Victor Frond podemos ver todo o percurso da rua Santa Luzia com a igreja de Santa Luzia no canto à esquerda, o prédio enorme da Santa Casa no meio e no fundo o Morro do Castelo.
santa casa

Próximo post sobre o Rio Antigo: A Igreja de Santa Luzia

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sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

a grande maçã no seu corre-corre

nycity
Nova Iorque se apresentou num dia berrante de sol e na companhia de sete companhias quase histéricas. Eu mesmo posso dizer que estava histérica naquele dia. Sozinha, pelo menos literalmente, andei pela cidade quase como s´eu não fosse eu mesma, com um medo de tocar e de sentir que não era meu. Verdade seja dita, NY era uma das poucas cidades que tinha interesse em conhecer nos Estados Unidos. E posso dizer, que é a única que ainda vou revisitar. Foram cinco dias entre palestras e escapadas para ver A cidade. Não me decepcionou em momento nenhum. Para amantes de grandes aglomerações, grandes cidades, como eu, é the best.

Na cidade a melhor impressão talvez foi do Central Park, não apenas de tê-la visto tantas vezes no cinema, mas como fui a New York num workshop ultra-rápido, passei imenso tempo entre paredes. O Central Park ficava ali do lado do hotel, e entre nas paradas para um descanso aproveitava o sol escaldante que fazia para me refrescar entre sorvetes e pequenas caminhadas digestivas. O certo é que os nova-iorquinos se recuperaram do 11 de Setembro, e aceitaram a vulnerabilidade, sem deixar de lado o seu modo frenético, reinventando-se a cada segundo e saboreando os prazeres da sua cidade.

empire state buildingClaro que uma visita a Nova Iorque não podemos deixar de lado seus arranhas-céus, e eu, sem querer ver o Ground Zero, fui observar a cidade lá de cima no Empire State Building. Este edifício foi o mais alto da cidade durante muitos anos, com seus 102 andares. Hoje tem a vista e a aura mais romântica dos prédios de NY (quem não viu Sintonia do Amor com Meg Ryan e Tom Hanks). Confesso que diante da fila que tira qualquer romantismo de filme hollywoodiano para o chinelo, para matar o tempo resta conhecer gente do mundo inteiro.

Quem visita Nova Iorque tem que se acostumar com a sensação é de déjà vu. Por onde quer que andemos, tudo nos parece familiar, os táxis amarelos, os edifícios, as ruas, os edifícios... O certo é que já conhecemos quase ao pormenor alguns dos bairros, das cores, dos hábitos e dos movimentos da cidade, tantos foram os filmes aqui rodados. Um destes lugares é o Times Square, quando olhamos apesar desta sensação, o olhar automaticamente se dirige para cima em direção às luzes e aos cartazes coloridos que nos transporta para um filme de ficção científica. Edifícios altíssimos, cartazes e néons que iluminam a noite escura, várias músicas de fundo, uma sirene pelo meio...

central parkPara quem gosta de compras, a Quinta Avenida, ou se preferir, Fifth Avenue é um deles. Muito pouco original como sugestão de passeio, mas absolutamente obrigatória os consumistas. Foi aqui que o milionário William Henry Vanderbilt construiu a sua mansão em 1883, seguido por famílias poderosas como os Astor ou os Gould. E foi também aqui que casas como a Cartier e a lendária Tiffany, a Gucci, a Fendi, a Prada, os armazéns Sak's Fifth Avenue, o chiquérrimo Bergdorf Goodman e as mais populares (e baratas) Banana Republic e Gap estabeleceram os seus quartéis generais. E porque símbolos do poder não faltam na principal das avenidas, vai deparar-se com a cintilante Trump Tower, mandada construir pelo magnata Donald Trump nos anos 80 e com o Hotel Plaza, também ele um ícone do luxo ostentador.

brooklyn bridgePara quem gosta apenas por passear, as regiões de Manhattan são um paraíso para se conhecer, do esp+irito descontraído do Village, passando pelo chique Soho, entrando pelo Chinatown, a maior cidade chinesa no Ocidente, que esmaga a vizinha Little Italy e o bairro judeu de Lower East Side.

Não muito longe no South Sea Port District, avistamos Manhattan no seu esplendor, e a mais antiga e famosa ponte de NY (num total de dezesseis), a Brooklyn Bridge foi inaugurada em 1883. Aproveite para um passeio ao Brooklyn Promenade para a mais clássica fotografia de Manhattan.

Para correr, sem deixar de conhecer. Para andar e falar. Para escutar tantas línguas quanto as que há no mundo. Ou paenas para comprar, para ver e ser visto. NY, a cidade da agitação e da mudança frenética.

Estadia: Eu fui e gostei do West Side YMCA, Hostel (albergue) que fica na West 63 street, bem ao lado do Central Park, do Lincoln Center e o Museu de História Natural. Tem resturante, piscina interior e é ótimo para praticar esportes. O preço mais barato fica em 38 dólares, pelo quarto duplo (cada pessoa).

Para maiores informações sobre NY:
Leia a Rotas e Destinos de Dezembro de 2002.
Visite o site Nova York em português com informações, fotos e blogs.
Para se localizar nos Estados Unidos.

Blog sobre NY:
Caderno Vermelho: blog de Susana Sousa sobre NY.
Edu do Brooklyn: blog de Eduardo Graça sobre NY.

Se você tem um blog sobre Nova Iorque e quiser colocar seu link neste post, deixe um comentário.

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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

para carioca e gringo visitarem


Está no site do New York Times uma crítica de um dos lugares mais charmosos de Santa Teresa, Rio de Janeiro: o Museu Chácara do Céu.

A casa de Santa Teresa, conhecida desde 1876 como Chácara do Céu, foi herdada por Castro Maya em 1936. A construção atual, projetada em 1954 pelo arquiteto Wladimir Alves de Souza, destaca-se pela modernidade das soluções arquitetônicas e por sua localização, que integra os jardins e permite magnífica vista de 360 graus sobre a cidade e a baía da Guanabara.

Com seu charmoso jardim e três andares cheio de arte e mobília, este museu parece a casa de alguém. E de facto, é. A moderna estrutura é a casa do industrial Raymundo Ottoni de Castro Maya, que é um ávido colecionador de arte brasileira, européia e asiática. Igualmente fascinante é sua impressiva biblioteca de livros em português antigo e títulos franceses.

A mansão de Raymundo Castro Maya construída em Santa Teresa só revela o eclético gosto do seu dono com suas porcelanas, pinturas e esculturas. A casa, ela mesma, é um charmo com sua estrutura que evoca o trabalho de Frank Lloyd Wright no oeste americano. A vista do jardim é fabuloso. E o museu tem aquele estilo aconchegante duma casa, muito rica, com suas pinturas impressionistas e seus vasos chineses.

Lembro dela em sessões de fotografia, a descoberta dos seus pequenos mistérios guardadas em slides. Quem estiver no Rio, o Museu Chácara do Céu fica na Rua Murtinho Nobre 93, em Santa Teresa. O preço da entrada é dois reais (0,85$) e crianças menores de doze anos não pagam.

Museu Chácara do Céu

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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

lisboa indicada como cidade a visitar pelo "new york times"


Laos, Nova Iorque, Irão ou Croácia são alguns dos outros pontos de interesse propostos pelo "New York Times" para serem visitados em 2008. Do Brasil, Itacaré, na Bahia, foi também escolhido.

A capital portuguesa é a segunda melhor opção de visita e vista como um lugar que já consegue chamar turistas dos mais variados pontos do mundo, e o The New York Times apresenta um argumento de peso: «Lisboa está, tipicamente, entre as cidades europeias mais acessíveis no plano económico».

Para além disso, Lisboa é agora vista como «uma força cultural emergente», de onde se destaca o Museu da Colecção Berardo – em exposição no Centro Cultural de Belém – e o Museu do Design e da Moda, com abertura prevista até ao final de 2008.

O jornal nova-iorquino indica os hotéis Fontana Park e o Jerónimos 8, enquanto instalações particularmente atractivas para os turistas que procuram estilo nas suas estadias, numa cidade que «está a cimentar o seu estatuto avant garde». ´

O Brasil aparece em 41º lugar com Itacaré na Bahia. Segundo o NYTimes, Itacaré é uma praia que atraí a elite carioca e recomenda o Warapuru, o eco-resort que deve abrir no próximo ano.

A lista é encabeçada pelo Laos, e não se inibe em colocar Irão, Mauritânia ou Bogotá entre paraísos balneares ou destinos de neve a visitar no ano que se avizinha.

Fonte: Sol e NYTimes
Foto: Choppy

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sexta-feira, 16 de novembro de 2007

a paris diversificada vista à pressa


Paris, inesquecível em seus prédios únicos, em sua aura, e num monte de turistas a tirar fotos, muitos de uma vez. Para esquecer ou lembrar, impressões sobre uma viagem para esquecer.

Dias tão curtos para conhecer uma cidade. Dias curtíssimos para rever uma amiga. Foi com esta inquietação de domingo que eu cheguei em Paris. A Paris dos metros de longos corredores que abraça toda a cidade. A Paris de prédios para deixar boquiabertos nós, americanos de continente. A Paris, de quartinho com pouco espaço e da vizinhança negra. Aliás, a França dos imigrantes, principalmente, foi esta França em Paris que mais me impressionou.

Na adolescência fui apresentada a uma família francesa nas aulas de francês. Destas aulas lembro apenas das palavras, que não consigo mais pronunciar apesar de entendê-las, e daquela família francesa. Mas, como diz minha amiga, a França é este país feita de tantos povos, de tantos imigrantes. Por isso, a imagem de beleza da França que eu fiquei foi da jovem descedente indiana no vagão de metro.

Estes dias cansativos, de correrias para conhecer o máximo possível, para conviver o máximo possível, para perceber o máximo possível. Um bilhete na França e na comunidade mulçumana na França, na percepção que o que o mundo diz, não é toda a verdade.

E a Paris do Champs Elysées, da Tour Eiffel num dia de primavera ou numa noite acolhedora, do Arco do Triufo, da Igreja de Notre Dame, da Place de la Concorde, do Sacré- Coeur, das pontes que cortam o Rio, do Louvre, do Château de Versailles e das grandes caminhadas para ver tudo isso.

É esta Paris, vista a pressa da qual não me esqueço. Daquela vista com uma amiga do lado num quartinho apertado e dos croissants e crepes magníficos. Não, nenhuma viagem é na verdade para esquecer.

Fotos: Dulce Nascimento

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sexta-feira, 9 de novembro de 2007

uma viagem de trem para esquecer


Viajar de avião é mais rápido e mais fácil, mas nada acaba com a magia de ver uma cidade pela janela. Para esquecer ou lembrar, impressões sobre uma viagem de comboio.

Para esquecer saí de Lisboa, para esquecer fui parar em Paris para passar três dias. Saí daqui de comboio para encontrá-la nos seus dias de folga. Como precisava sair de Lisboa com pressa, sob o risco de enlouquecer, resolvi encarar 24 horas duma viagem de trem. Cheguei a Estação Oriente, enorme, a modernidade em Portugal e encarei com coragem horas passadas num vagão a ser dividido com seis pessoas. Quando entrei, encarei com coragem o cubículo.

Saindo de Lisboa, erámos apenas três pessoas, chegamos a Espanha já com seis. E o problema do espaço cheio seria uma tortura pela noite para dormir. Não consegui. Fiquei pelos corredores a vigiar a noite escura espanhola.


Antes disso, de ser tarde demais, oito pessoas conversando - melhor, sete, porque tinha o senhor silencioso - numa mistura de inglês, espanhol, português e brasileiro. Tinha um brasileiro entre nós que somente descobri na entrada para a Espanha. Depois de aborrecidos pela polícia e com a entrada dum simpático senhor espanhol a conversa pareceu fluir entre culturas até ficar bem tarde para qualquer conversa e, bem cedo, para alguém deixar alguma espaço vazio para invadirmos a dormir.

Além de pensar muito, vi diversas cidades belas que adoraria visitar: Salamanca, Biarritz e principalmente San Sebastián. A viagem pela Espanha durante a noite foi encantadora. Ainda me lembro de chegar, quase ao amanhecer a San Sebastián e ficar com aquela imagem da praça principal vista pela janela. Para esquecer, eu não sei de quê, mas para lembrar para sempre daquela imagem de San Sebástian na minha cabeça.

Da França, pela manhã, depois da troca por trens muito mais confortáveis, eu lembro apenas nas terras e árvores. Não tenho uma impressão formada além daquele pedacinho de Hedaye, ainda em Espanha, até Biarritz. Do resto, do resto eu me lembro.

Outras informações: cp.pt
Fotos: Dulce Nascimento

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sábado, 27 de outubro de 2007

impressões sobre uma lisboa não esquecida


Lisboa, tão grande (a maior cidade de Portugal), tão pequena (se comparada com Rio e São Paulo) e tão mágica. Para esquecer ou lembrar, impressões sobre uma das visitas a esta cidade.

Viagens tem sempre uma finalidade e, se para esquecer, lembrar, passear, visitar, conhecer, correr, trabalhar, passear, seja o que for, vai depender deste objectivo e do humor para termos uma percepção do lugar em que estamos. Fui a Lisboa várias vezes, sempre com um propósito, sempre como visitante, em cada uma delas tive uma percepção. Numa delas o propósito era esquecer, e Lisboa me pareceu às vezes colorida, quando eu queria era colorir a vida cinza.

Talvez este foi o momento em que melhor conheci Lisboa andando pelas suas ruelas em calma. As visitas não passaram por shoppings ou embaixadas, só ruas, metro, e calçadas em busca de algo que eu pudesse levar duma viagem que até aquele momento tinha sido triste. Metia-me num eléctrico sem destino à saída, mas ao ver algo que me agradava saía. Não conheci nada que tivesse que pagar para entrar, porque estava sem um tostão e tinha outros planos a fazer. Assim, sem guia, sem dinheiro, fui descobrindo a minha Lisboa. Dos cafés baratos, das ruas e transportes públicos, das igrejas abertas, dos morros, dos monumentos por fora e, apesar de tantas outras visitas, esta é ainda aquela que guardo melhor na memória. Aquela que para esquecer, pôs na memória a cidade como ela é, Lisboa.

E, depois, só, meto-me num comboio, para passar bem devagar, para visitar uma amiga em Paris. Sinceramente, porque eu não me esqueço duma viagem que era para esquecer. Eu já nem me lembro mais de quê. Lembro-me é das cidades e dos bons encontros que ela me proporcionou.



Fotos: Dulce Nascimento

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sábado, 20 de outubro de 2007

perdendo-se no tempo em parati


A nostalgia contaminou-me, as festas passadas em Parati lembra-me amizade, chuva, sorrisos e algumas pequenas dúvidas. Não com relação a cidade, belíssima.

Parati surgiu em meados do séc. XVI. O povoamento iniciou-se no Morro do Forte, onde foi construída uma capela dedicada a São Roque. Por volta de 1640 o povoado, em crescente desenvolvimento, transferiu-se para o local atual e, ao redor de 1660, o florescente povoado se separa da Vila de Angra dos Reis, elevando-se a categoria de Vila. Seu maior desenvolvimento urbano ocorreu nos séculos XVII e XVIII, no chamado "Ciclo do Ouro", com o estabelecimento do "Caminho do Ouro" que ligava o Rio de Janeiro a São Paulo e Minas Gerais, no qual Parati exercia a função de entreposto regional. O Porto de Parati, na época, chegou a ser o segundo mais importante do Brasil, pela sua posição estratégica. Parati foi elevado a categoria de condado em 1813 e a de cidade em 1844. Depois da queda do ciclo do ouro, Parati ficou escondida entre o mar e a serra. Somente a partir de 1958, quando foi transformado em Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o município de Parati passa a experimentar um novo ciclo econômico baseado no turismo, resultante de uma vocação potencializada pelo conjunto paisagístico/arquitetônico da cidade, pelas áreas florestadas, pelas 65 ilhas da baía e mais de 300 praias da região.


O que sempre me apaixonou em Parati é a sensação de que há algo parado no tempo, como talvez nenhuma outra cidade no Brasil ou em Portugal tem. Não com relação ao ritmo de vida das pessoas, mas com relação a conservação da própria vila em si. Andar em suas ruas de calçadas difíceis, admirar a arquitetura dos prédios, as igrejas (são algumas só no centro histórico) exigem um calçado confortável sempre foi uma cura interna das incertezas próprias da escolha, como se andar pelas suas ruas também fizesse parar o tempo em si.

Gostar de Parati é fácil. Seja pela sua arquitectura, pelo mar, pelas ilhas, pelas montanhas, pela vegetação, motivos são muitos. Seu mar de águas verdes da vegetação reflectida convida a uma passeio de escuna pelas ilhas que salpicam toda a costa. Virando de costas para o mar, o turista se depara com outra paisagem não menos bonita: as montanhas de Parati. Com várias opções de trilhas, uma delas é a do antigo “Caminho do Ouro”, usado na época da colonização como rota para escoar a produção de ouro a Portugal. Também não vale perder as cachoeiras da região.


Para encerrar a noite, Parati oferece a mais típica bebida brasileira: a pinga. Feita em alambiques da região, de maneira artesanal, o aperitivo é encontrado em cachaçarias e em quase todos os bares e restaurantes do centro. E se o roteiro permitir, não deixe de visitar algum dos alambiques da cidade.

Fotos: Dulce Nascimento

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sábado, 13 de outubro de 2007

búzios da minha adolecência, da minha inocência


Nenhuma viagem é igual a outra. Assim como nenhum lugar é conhecido de maneira igual. Búzios, foi daqueles lugares que eu conheci em minha adolescência. Porém, não é Búzios das festas e das ruas da loja que eu lembro, mas dos passeios a pé para as praias, mesmo as mais longínquas e das noites ao luar no deck da cidade.

Por ocasião do descobrimento do Brasil, armação dos Búzios era habitada pelos índios tamoios, que viviam da caça e da pesca. A sua posição estratégica, suas enseadas e a abundância de suas águas doces fizeram com que, na metade do século XVI, ela se tornasse ponto de abastecimento para navios piratas franceses a caminho do Rio de Janeiro. Os portugueses, após expulsarem os franceses, empossaram colonos, que se especializaram na cultura das bananas.

Dizem que a origem do nome deve-se ao fato de que o fundo do mar da região era rico em búzios e nas suas baías ancoravam navios que por ali passavam, permitindo-lhes organizar armações de pescarias antes de prosseguir viagem.


O interesse pelo local aumentou nos anos 60, com a chegada à cidade da atriz francesa Brigitte Bardot, então estrela de primeira grandeza do cinema internacional, que escolheu esta cidade para alguns dias de descanso. A partir daí, Búzios passou a fazer parte de roteiros especiais do turismo internacional e nunca mais voltou a ser a vila de pescadores que era. A cidade cresceu, os pescadores foram empurrados para fora da pequena vila, e suas vinte e três praias com ou sem ondas, rasas ou profundas, mornas ou frias, badaladas ou desertas, atendem a todas as exigências.

Particularmente gosto da praia da Tartaruga de águas verdes e calmas que relembram as grandes caminhadas com minha irmã, a praia da Ferradurinha pela beleza tranqüila, a da Ferradura pelas brincadeiras, a praia dos Ossos de fundo na fotografia, a do Forno, pequenina, para esquecer que estamos num lugar cool, mas principalmente a Azeda, refúgio fora do verão, de águas geladas, às vezes intragável ao banho, mas escondida e muitas vezes achada quando o objectivo era esquecer e lembrar.


E depois passear pelas ruas das Pedras, ver as pessoas sendo, vivendo, e viver e ser. Andar a beira da praia do Centro até encontrar a igreja antes da praia dos Ossos, que pela manhã tem a melhor vista de Búzios e encontrar pelo caminho a estátua de Bardot. E depois, na volta, se divertir na noite de Búzios que tem solução para todos os gostos e bolsos.

Como chegar: Amigos de Viagem
Dicas: Viaje Aqui


Fotos: Dulce Nascimento

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quinta-feira, 4 de outubro de 2007

uma vila sobre as pedras


Quando se olha para cima, pergunta-se imediatamente, como alguém pode construir algo no meio daquelas pedras. Construiu-se e de tão maneira, que a construção confunde-se com as pedras sobre as quais foram construídas. Assim é Marvão, a vila formosa do Alentejo.

Marvão situada a mais de 800 metros de altitude é provavelmente habitada desde a Pré-História. Serviu, primeiramente, de refúgio, no século IX, ao guerreiro mouro Ibn Marwan al-Yil’liqui «O Galego» - a quem deve a designação - líder de um movimento sufista no Al-Andaluz, que pegou em armas contra os emires de Córdova e criou uma espécie de reino independente sediado em Badajoz até à instauração do califado de Córdova em 931.

Conquistada por D. Afonso Henriques, foi sucessivamente reconstruída ao sabor das incursões dos eternos inimigos castelhanos. Por isso, Marvão preserva a única fortificação do país que manteve valor estratégico até ao século XIX, e a única, igualmente, a apresentar todos os elementos arquitectônicos da fortaleza medieval.

Vista de baixo, Marvão parece um daqueles castelos dos faz-de-conta, e para chegar até lá serpenteamos estrada acima. Quando lá chegamos nada nos prepara para a estonteante visão. Do alto das suas muralhas a paisagem de 360º do Alentejo é deslumbrante. Vê-se o Alentejo do jeito que ele é, e sonhar nos sons quietos dest lugar.

Uma visita as muralhas da vila é obrigatória. Porém, dentro das muralhas o deslumbre permanece. O castelo até hoje é um dos mais conservados em Portugal e, apesar de não ter a mim o mesmo encanto de Monsaraz, foi com preguiça que uma visita é feita em suas ruas estreitas.

Onde fica:
Marvão fica no distrito de Portalegre, no alto alentejo.

Onde ficar:
Pousada de Santa Maria
Rodeada pelas muralhas fortificadas do século XIII, foi construída a partir de um conjunto de pequenas casas, mantendo as suas características medievais. Pegue um dos quartos com vista para o Alentejo.

Viagem feita em Janeiro de 2006.

Fontes: Rotas e Destinos
Fotos: Dulce Nascimento

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sexta-feira, 28 de setembro de 2007

farol do cabo da roca


Farol do Cabo da Roca
O Farol do Cabo da Roca tem uma posição geográfica importante: é o ponto mais ocidental da Europa, durante muitos anos considerado o ponto “onde a terra se acaba e o mar começa”. Talvez, por isso, também é um farol com grandes problemas com frio e a ventania, com grande beleza pela sua paisagem natural e vegetação rasteira que cobre, durante esta primavera, de brancura da Armenia Pseudarmeria que só ali se dá, e com grande número de turistas a fotografar em volta o oceano Atlântico.

Durante muitos anos os barcos se chocavam com as falésias escuras que, sem o farol, não tinha a protecção num importante ponto de tráfico portuário, a entrada de Lisboa. Em 1758, sob o reinado de D. José, o marquês de Pombal desejoso de abrir o país mandará edificar no alvará de 1 de Fevereiro de 1758 da Junta Geral da Fazenda do Reino seis faróis, entre eles, o do Farol do Cabo da Roca construído em 1772, o terceiro mais antigo da costa portuguesa, o primeiro farol construído de raiz, uma vez que os dois anteriores foram instalados em construções já existentes.
Para ler mais.

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sexta-feira, 21 de setembro de 2007

uma vila onde religiões se encontram


A Serra de São Mamede guarda fauna e flora diversificada, pelas paisagens deslumbrantes e uma grande história. Castelo de Vide é uma das cidades incontornáveis em visita à Serra de São Mamede.

Castelo de Vide guarda não só uma das judiarias mais bem preservadas de Portugal como um impressionante conjunto de 33 igrejas, a maior colecção nacional de portais góticos, e, ainda, as melhores boleimas de todo o Alentejo. Pacata, a vila vive em um ritmo passado que convida a andar pelas escadarias e ruelas íngremes a observar o passado.

A vila revela a presença dos judeus em suas ruas. Na Rua da Judiaria, a Rua Nova, viviam os judeus convertidos designados por cristãos-novos; na Rua do Arçário, vivia o tesoureiro da comunidade, e na Rua das Espinosas, a homenagem ao filósofo Spinoza do séc. XVII, filho de um habitante de Castelo de Vide.

Do Castelo, no topo da colina, temos a visão do casario da vila. O castelo, este encontra-se bastante degradado, cheio de pixachões e bastante mau cuidado para um património que devia ser mais bem guardado.


Para ver:

Segundo uma tradição, Castelo de Vide foi conquistada pelos Mouros no ano 1148 e foi propriedade de Gonzalo Mousinho e mais tarde de Pedro Annes, no ano de 1180. Castelo de Vide transforma-se em município no ano 1276, independizando-se da área municipal de Marvão da qual fazia parte desde 1226. A sua situação geográfica faz com que Castelo de Vide fosse cenário de muitas acções nas guerras de Portugal com a Espanha, especialmente no período de 1640 a 1711.

Merecem destaque também o burgo medieval, o forte de S. Roque, as muralhas que envolvem a vila, a judiaria, a sinagoga medieval e as portas e janelas ogivais dos séculos XIV a XVI.

Fauna e Flora: Aves já hoje raras, como a águia de bonelli e o grifo, repartem o território com gaviões, águias cobreiras, peneireiros cinzentos, milhafres e tartaranhões, havendo ainda a assinalar a presença do bufo real e da coruja do mato. Para além das aves de presa já foi assinalada a presença da cegonha negra em Castelo de Vide, enquanto um numeroso grupo de passeriformes povoa os recantos serranos. Dentre os mamíferos, o javali encontra-se em expansão e o veado ensaia timidamente o seu regresso, agora que se recompõem algumas das condições, nomeadamente de habitat, imprescindíveis à sua presença. Texugo, toirão, saca rabos, geneta, gato-bravo, a conhecida raposa e o vulgar coelho são já animais mais comuns.

Gastronomia: No que se refere à gastronomia, esta é riquíssima, merecendo destaque o sarapatel, o ensopado de cabrito, a "sopa gata", a alhada de cação, as migas com entrecosto, na doçaria, os bolos secos, a boleima, o bolo finto, etc, assim como inúmeros licores.

Viagem realizada em Janeiro de 2006.

Fontes: Rotas e Destinos
Fotos: Dulce Nascimento

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