quinta-feira, 13 de setembro de 2007

uma real biblioteca portuguesa no rio de janeiro


O Real Gabinete de Leitura do Rio de Janeiro é o vencedor da categoria Cultura e Ciência da edição 2007 dos prêmios da Fundação Luso-Brasileira. Segundo a coordenadora dos prêmios, Mariana Castro Caldas, a instituição vai receber a condecoração devido "à sua contribuição para a aproximação cultural entre Portugal e o Brasil".

Na rua Luís de Camões, ao lado da praça Tiradentes, a fachada do Real Gabinete Português de Leitura destoa de todos os prédios ali, mesmo os antigos. Criado em 1847, o edifício foi construído em 1880, em estilo manuelino, como chamam os portugueses por se tratar da arquitectura gótica renascentista do período dos descobrimentos – época do reinado de D. Manuel I (1495-1521) – a instituição guarda uma preciosa coleção que é aberta ao público desde 1900. Porém, ali, logo na fachada, seremos recepcionados pelas estátuas do infante dom Henrique, de Pedro Álvares Cabral, de Vasco da Gama e, numa biblioteca não poderia faltar, de Camões.


Se o exterior, que guarda semelhanças com o Mosteiro dos Jerónimos em versão reduzida, impressiona, o interior já usado como cenário no cinema e na televisão nem se fala. O interior vertical culmina com uma bela abóbada por onde a luz entra e reflete nas inscrições douradas dos cerca de 350 mil livros que emolduram a parte interna do prédio.

Os livros não têm o aspecto atual de peças de publicidade, quase todos eles são de capas duras e escuras, tendo na lombada o título e o autor inscritos em dourado. Porém, o mais importante é que ele guarda o mais valioso acervo de autores portugueses fora de Portugal. Entre as obras mais raras da biblioteca estão a edição princeps de Os Lusíadas, de 1572, que pertenceu à Companhia de Jesus; as "Ordenações de D. Manuel", por Jacob Cromberger, editadas em 1521; os "Capitolos de Cortes e Leys que sobre alguns delles fizeran", editados em 1539; "Verdadeira Informaçam das Terras do Preste Joam, segundo vio e escreveo o Padre Francisco Alvarez", de 1540. Além disso, a biblioteca possui os manuscritos autógrafos do "Amor de Perdição", de Camilo Castelo Branco, e o "Dicionário da Língua Tupy", de Gonçalves Dias.

Poucos brasileiros, inclusive cariocas, conhecem esta biblioteca. Vale a pena dar uma passada por lá, mesmo que não seja adepto dos livros. É que o Real Gabinete também possui uma importante coleção de numismática e pinturas de Malhoa, Carlos Reis, Oswaldo Teixeira, Eduardo Malta e Henrique Medina.

Para visitar na internet: www.realgabinete.com.br/
Para visitar no Rio de Janeiro: Rua Luis de Camões, 30, perto da Praça Tiradentes.

Fotos: Claúdio Lara
Fonte: Agência Lusa

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quarta-feira, 12 de setembro de 2007

festival gay no cinema são jorge em lisboa

a casa de alice

Dois filmes brasileiros participam do Festival Gay e Lésbico de Lisboa, que ocorre entre os dias 14 a 22 de setembro. O longa brasileiro "A Casa de Alice" de Chico Teixeira vai abrir o festival, já o curta "Alguma Coisa Assim" concorrerá na categoria Documentário. O festival ainda terá uma retrospectiva do cinema gay português da década de 1970, debates e espaços musicais.


A grande novidade deste festival é a nova designação - Queer Lisboa 11 - um título que o director, João Ferreira, considera "mais abrangente" e "mais fiel em relação àquilo que é a programação do festival".

A programação completa do festival já foi anunciada e inclui, além de "A Casa de Alice", os longas "Bubble", de Eytan Fox (Israel), "Glue", de Alexis dos Santos (Argentina), "The Picture of Dorian Gray", de Duncan Roy (EUA), entre outros.

Na seção de Documentário, foi destacada a apresentação de "Bob and Jack`s 52-year Adventure", uma história de amor com 52 anos, e nas curtas-metragens foram salientados os filmes "Alguma Coisa Assim" (Brasil), "No Pasa Nada" (Espanha), "Paris I Love You Too" e "Cowboy Forever" (ambos de França).

Segundo os organizadores, mantém-se a atribuição de prémios em três categorias: Melhor Longa-Metragem (candidatam-se 13 filmes), Melhor Documentário (11 obras em competição) e Prêmio do Público para a Melhor Curta-Metragem (48 filmes em concurso).

Haverá ainda uma seção dedicada a um conjunto de curtas-metragens anteriores a 2006 que não estão em competição e a apresentação de dois spots (da Alemanha) contra a homofobia.

Numa das novidades desta sessão, será apresentada uma retrospectiva da cinematografia gay portuguesa dos anos 70, com a mostra de quatro filmes realizados entre 1975 e 1978 por Óscar Alves que passaram na altura em circuitos muito restritos.

Haverá também uma secção "Queer Pop" dedicada à música, com dois documentários e três sessões de telediscos, uma delas dedicada exclusivamente a Madonna.

Durante o festival, estão previstos três debates - um sobre personagens homossexuais na ficção televisiva portuguesa, outro sobre a cinematografia gay portuguesa dos anos 70 e um terceiro motivado pela apresentação do filme "The Picture of Dorian Gray" sobre o escritor irlandês Oscar Wilde.

Os 88 filmes a apresentar estão programados em 60 sessões que vão decorrer no cinema São Jorge, onde estarão presentes alguns realizadores de filmes programados.


Fonte: Agência Lusa
Foto: Site Oficial do Filme

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terça-feira, 11 de setembro de 2007

festival português de "making of" premia filme brasileiro



O documentário brasileiro "Mulheres do Brasil", de Malu di Martino, venceu no sábado o grande prêmio do 1º Making Of* Film Festival (MOFF), que ocorreu na cidade portuguesa de Santarém.

O 1º MOFF, Making of Film Festival, aconteceu entre os dias 1º e 8 de setembro. O making of do filme brasileiro - que tem no elenco entre outras: Camila Pitanga, Dira Paes, Bete Coelho, Débora Evelyn - foi o vencedor em uma competição que incluía ainda outros oito longas.

O longa-metragem “Mulheres Do Brasil”, de Malu Martino, mostra a trajetória de cinco mulheres que batalham por seus sonhos em cinco cidades brasileiras. Telma, uma porta-bandeira que enfrenta problemas do cotidiano para manter a tradição carnavalesca da família; Laura, de 45 anos, luta para voltar ao mercado de trabalho de São Paulo; Esmeralda, uma baiana fiel a Deus que apresenta mudanças de personalidade e age como anjo e demônio; Ana, uma jovem universitária de Maceió que decide rever sua filosofia de vida ao conhecer um casal formado por um pescador e uma rendeira; e Martileide, uma garçonete curitibana inconformada com a pobreza em que vive e que, ao escutar a voz de um locutor de rádio, retoma a esperança de uma vida melhor, são as mulheres do Brasil retratadas.

O Prêmio Especial do Júri, destinado ao making of mais inovador e arrojado, foi para o islandês "Ira dos Deuses" (Wrath of Gods), de Jon Gustafsson, e o Grande Prêmio Cidade de Santarém, resultante de uma votação do público, para o making of espanhol "Para que no me olvides", de Cecília Barriga.

Fora da mostra competitiva, a cidade portuguesa acompanhou a exibição de oito clássicos do cinema, como "8 e 1/2", de Federico Fellini, "O Desprezo", de Jean-Luc Godard", "O leopardo", de Visconti e "Hollywood ending", de Woody Allen.

Segundo diretor do festival, Francisco Bravo Ferreira, o Moff contou com uma assistência média de 300 espectadores/dia, nas duas praças, uma com a exibição dos oito making of em competição e os respectivos filmes e outra com a passagem de oito "lendas do cinema".

O director do festival revelou também que a continuidade do Moff está apenas dependente da vontade da autarquia - a que se juntarão outros patrocinadores de vulto já contactados -, mas frisou que o certame "tem um imenso potencial de crescimento", e que pode, inclusive, colocar no mapa turístico a divulgação do excepcional património gótico da localidade ribatejana.

Na sessão de encerramento, além da entrega dos troféus - uma placa acrílica redonda dentro de uma bobina de cinema e uma taça de cristal (esta para o prémio Cidade de Santarém) - e da exibição dos making of vencedores, foi exibido também um making of do próprio MOFF.

O 1º MOFF contou com a participação de making of de Portugal, Brasil e outros quatro países (Espanha, Reino Unido, Canadá e Islândia).


* ''Making of'' é um termo em inglês que designa um documentário de bastidores, ou seja, que registra em imagem e som o processo de produção e realização de um filme.


Fontes: Agências Lusa e Estado

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segunda-feira, 10 de setembro de 2007

quando britânicos e franceses se misturam aos anos 60



Chega agora nas lojas no Brasil (em Portugal já está nas lojas) o DVD “Sympathy for the Devil”. No clima de revolução dos anos 60, em 1968, deu-se o encontro entre a banda Rolling Stones e o cineasta francês Jean-Luc Godard.

O filme consiste em sequências dos Stones a gravarem em estúdio o tema Sympathy for the Devil, do álbum Beggars Banquet, intercalado com imagens típicas de Godard em que o activismo político esquerdista e o apelo à revolução são uma constante. O filme foi remontado e rebaptizado pelo produtor dos Stones como Sympathy for the Devil, porém, Godard renega essa versão, preferindo a original, a que chamou One Plus One.

Godard registrou o trabalho dos Rolling Stones em estúdio, a construir minuciosamente a canção “Sympathy for the Devil”, por meio de longos e lentos movimentos de câmera. A esse material, o cineasta da nouvelle vague coloca em cena os anos 60: integrantes do movimento negro norte-americano Black Panthers enunciando slogans e movimentando fuzis no cenário de um ferro-velho; Anne Wiazemsky (então mulher de Godard), como Eva Democracia, perambulando num bosque enquanto dá uma entrevista na qual suas únicas respostas são “sim” e “não”; um jovem declamando trechos de “Mein Kampf”, de Hitler, numa livraria especializada em pornografia e romances baratos; e Wiazemsky pichando em muros londrinos slogans como “cinemarxismo”, “sovietcongue”, “maoarte” e “freudemocracia”.

One Plus One, a versão de Godard, parece tratar-se de uma homenagem ao mundo musical e cultural do rock’n roll. Entretanto, a presença da formação liderada por Mick Jagger serviu para destacar o simbolismo dos acontecimentos políticos que faziam estremecer as democracias liberais, questionar o poder da burguesia e colocar a revolução cultural e política na ordem do dia. Os Rolling Stones eram, de certo modo, a personificação por excelência da contestação e da ideia revolucionária da mudança.

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