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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

da weasel, o melhor do pop português


Pop ou hip hop? Eu diria que a banda(?) Da Weasel pode ser os dois. O som não nega o hip hop, mesmo que com elementos do rock e ska. E certamente, as letras e a popularidade da banda nos remete ao melhor do pop.

O grupo de Almada começou em 1993, como um projecto 100% em inglês e numa onda experimentalista. No primeiro já editam o primeiro álbum - "Dou-lhe com a Alma", onde se assiste uma transição para o português como língua dominante. Pac, o letrista e vocalista, se afirma em 1997, com o álbum "3º Capítulo", como um dos maiores e mais engenhosos letristas do panorama musical português.

"Re-tratamento", o primeiro single extraído, do álbum "Re-Definições" lançado em 2004, que os lançou definitavemnte para o mercado português:


Seguem vários álbuns, o último deles, "Amor, Escarnio e Maldizer" lançado em 2007, que põe a banda definitivamente com a melhor do pop português. É daquelas que vale a pena escutar tanto pelo som quanto pelas belas letras. Para quem pensa que Portugal é apenas fado, se engana.

Vídeo da música "Toque, Toque" do álbum "Amor, Escarnio e Maldizer" gravado no Rio de Janeiro:


Para quem ficou com vontade de mais:



Da Weasel


Integrantes: Carlos Nobre(Pac), Virgul, Jay-Jay, Quaresma, Guilherme Silva, Dj Glue.
Da Weasel no MySpace: http://www.myspace.com/daweasal
Da Weasel no Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Da_Weasel

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segunda-feira, 13 de outubro de 2008

nothing sweet about me



Gabriella Cilmi é daquelas surpresas do ano. O seu single de estréia "Sweet About Me”, lançado em março deste ano, catapultou-a para uma carreira internacional. Com a apenas 17 anos, acabados de completar, esta australiana de raízes italianas começou sua carreira numa garagem de amigos, em Melbourne a fazer covers dos Led Zepplin, Kings of Leon e dos Jet. Mas foi quando cantou num festival local que as coisas começaram a acontecer. Um ano depois estava a estrear-se num clube em Londres. Pouco tempo depois estava a assinar pela Island Records. Gravou todas as canções de “Lessons to be Learned”, seu álbum lançado em Junho deste ano, no seu idílico estúdio em Kent e ao mesmo tempo que apresenta como referências canções de Cat Stevens.

vídeo de oura versão de sweet about me:


Comparada com Amy Winehouse, eu acho que Gabriella Cilmi tem o estilo anos sessenta e a voz levemente parecida, mas mais pop-rock. Aliás, virou mania comparar qualquer pessoa com a voz mais potente a Winehouse o que injusto para qualquer uma das comparadas. Cilmi no estilo de cantar e nas músicas não tem qualquer referência a Winehouse (não concorda, é só ouvir o álbum da menina para verificar). E a moça, inclusive, não gosta da comparação. Certo é que a indústria fonográfica deve está a procurar de vozes potentes com mais volúpia a fim de satisfazer os ouvintes, pegando a carona no sucesso da Amy. Será que Gabriella não passará de moda, só o tempo dirá. O que dá para aproveitar é a boa música da cantora teen.

Outras músicas de Gabriella Cilmi:
gabriella cilmi

Para mais sobre Gabriella Cilmi, ler http://entertainment.timesonline.co.uk/tol/arts_and_entertainment/music/article3320160.ece.

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sexta-feira, 28 de março de 2008

encosta-te a mim

jorge palma
Música tem seus mistérios, não sabemos porque escutamos. Achamos que é por causa do cantor, mas imagine um cantor que canta como um bêbado e mesmo assim a música dele é uma das mais tocadas. Imagine a letra, uma das mais bonitas canções de amor que eu escutei nos últimos meses. Misture à campanha massiva das rádios: "yes, o hit to momento está feito". O cantor, o português Jorge Palma, a música Encosta-te a Mim. Para português ouvir e, brasileiro conhecer.

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segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

o vídeo clip



O novo clip da música "Jigsaw Falling Into Place" do mais recente álbum do Radiohead, para ver e/ou ouvir.

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sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

a encrenqueira do soul e voz de 2007


Amy Winehouse: a voz de 2007, sem dúvida, é a diva mais inesperada da nova soul. Destrói a candura das «girls-groups» dos anos 60 quando canta.

Os cabelos pretos, cheios de ondas vivas, passam longe do estilo louro-e-domesticado da maioria das cantoras jovens, e o visual é um mix original da moda anos 60 com os acessórios dourados dos rappers e dos "chavs" ingleses. Infelizmente, a cantora corporosa tem dado espaço a uma anoréxica, mas vamos falar então da voz e não dos problemas de amy winehouse.



As músicas revelam os traços de uma mulher geniosa, sincera, cool e divertida, capaz de rir da estupidez alheia e de suas próprias burradas, de confessar seus vícios e de contar como chorou largada no chão da cozinha por causa de um romance fracassado.

Depois de tudo isso, fica difícil não se apaixonar por Amy Winehouse. Se a descrição não for convincente, basta apertar o play em "Back to Black", segundo CD da cantora da mais recente safra de talentos britânicos, para reconhecer suas qualidades nada ordinárias.

Em Back to black, que tem apenas composições dela própria (algumas em parceria), Amy revisita o som de girl-groups como Martha Reeves & The Vandellas, Supremes e Shangri-Las (esse, com direito a agradecimento no encarte) em faixas como "Tears dry in their own" e no primeiro hit, "Rehab". Esta, por sinal, é barra pesada - a letra - cujo título, em bom português, é "reabilitação" - trata dos problemas da cantora com o álcool, já conhecidos publicamente ("eu e a bebida temos uma relação bem intensa, de amor e ódio", confessou ela com exclusividade para um jornal brasileiro, recentemente). Músicas como "You know I'm no good" e "Love is a losing game" poderiam ter saído da mão de um Otis Redding e estar no repertório de uma Aretha Franklin - o que não é motivo para ninguém sair endeusando a moça (como diz o ditado: notícias, sucessos pop, salsichas, mariola... se for consumir, melhor não ver como nada disso foi feito). Nas letras, Amy larga qualquer condição de musa soul que o mercado poderia lhe impor e vem com uma carga pesada - problemas existenciais, relacionamentos complicados, etc.

Quem quiser dar uma sacada no som de Amy antes de comprar ou baixar o CD, vale informar que ela tem um MySpace - oficial, com direito a endereço na contra-capa do disco e tudo. Fica em www.myspace.com/amywinehouse. Por sinal, resta saber qual lado vai aparecer cada vez mais na mídia, se o de cantora/compositora inspirada e belíssima fisicamente, ou o de encrenqueira bebum - os tablóides ingleses, que já andam em polvorosa por causa das doideiras de Britney Spears, já andam explorando as brigas de Amy com outras artistas e suas declarações sobre bebidas e drogas.

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

clã encerra tournée em lisboa e porto


Em digressão desde o início de Outubro, altura em que foi lançado o quinto álbum de originais, "Cintura", os Clã preparam-se para encerrar a primeira fase da tournée com dois concertos "especiais" hoje, às 21.30 horas, na Aula Magna, em Lisboa, e, na próxima quarta-feira, na Casa da Música, no Porto.

Os Clã são uma banda de Rock portuguesa formada por Fernando Gonçalves, Hélder Gonçalves, Manuela Azevedo, Miguel Ferreira, Pedro Biscaia e Pedro Rito em 1992.

Ao primogénito do Clã, Luso Qualquer Coisa, seguiram-se nos seus quinze anos de carreira os álbuns Kazoo, Lustro, Rosa Carne, o DVD Gordo Segredo e um CD duplo ao vivo (Vivo). E depois de três anos do último álbum de inéditos, os Clã regressaram com Cintura, o quarto da banda.

O Clã afirma-se hoje como uma das bandas de maior sucesso no panorama musical nacional portuguesa. Entre a criação original e os múltiplos espectáculos, a banda conta ainda com algumas colaborações no currículo. Exemplo disso são a parceria com Sérgio Godinho, da qual resultou o álbum Afinidades, e a colaboração além-fronteiras com os brasileiros Pato Fu. Aliás, Fernanda Takai (vocalista dos Pato Fu) também participa em Cintura, a par de Paulo Furtado, o luso The Legendary Tigerman. Além dessas, as ajudas chegaram ainda à composição dos doze temas do disco, que levou uma mãozinha de nomes bem ilustres como Carlos Tê, Arnaldo Antunes, o Mão Morta Adolfo Luxúria Canibal e Regina Guimarães.

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terça-feira, 4 de dezembro de 2007

in rainbows para escutar


Ainda não deu para ter uma opinião sobre "In Rainbows" o novo álbum do Radiohead disponível para download no site www.inrainbows.com. Estou ouvindo, digerindo. Para quem quiser ouvir, aqui vai na íntegra as músicas do novo cd.

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quinta-feira, 22 de novembro de 2007

radiohead cantando the smiths

Pérolas da net
Momento musical, Radiohead, a grande banda actual da Ingalterra num cover de The Headmaster Ritual dos The Smiths, a grande banda dos anos 80, em webcaster no youtube desde 09 de novembro. Para completar a semana com mais rock inglês, depois de Joy Division.

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segunda-feira, 19 de novembro de 2007

ian curtis em retrato cinematográfico


Ian Curtis é uma das figuras maiores do rock depressivo do século XX. Após 27 anos depois da sua morte, ele chega ao grande ecrã pela mão de Anton Corbijn, o fotógrafo e realizador de videoclips que faz em «Control» o seu debute em longas-metragens.

O filme começa a narrar a hitória do protagonista a partir de 1973, em Macclesfield, cidade-natal de Curtis, numa altura em que ele ainda frequentava a escola e que conheceu Debbie. Depois, é todo o desenrolar de uma atribulada existência, especialmente interior, que integra o casamento com Debbie, a formação dos Joy Division (inicialmente como Warsaw), a descoberta da epilepsia, o nascimento da filha Natalie, o relacionamento extra-conjugal com a belga Annik e o percurso ascensional da banda até ao suicídio de Ian Curtis, em 18 de Maio de 1980, véspera da viagem para a primeira digressão nos Estados Unidos.

Em duas horas, Control conta estes últimos sete anos da atribulada existência de Ian Curtis, sensivelmente um terço da sua vida, talvez o mais importante, sinceramente o mais investigado pelos fãs, partilhado com Peter Hook, Stephen Morris e Bernard Sumner nos Joy Division, a mais marcante banda do final do século passado, precursora do pós-punk, e que ainda hoje gera descendência. As opções do realizador mostram-se bastante acertadas, seja no casting em semelhanças físicas perturbadoras, ou no registo a preto-e-branco, mas essencialmente na escolha da banda-sonora.

Com nove nomeações para os British Independent Film Awards (incluindo Melhor Filme, Realizador, Actor e Argumento), Control integrou a Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes 2007 e ainda o European Film Festival 2007, tendo já sido distinguido com o Prémio Melhor Filme Revelação no Festival de Edimburgo. Não sendo este um filme sobre os Joy Division – como Anton Corbijn já fez questão de explicar –, a história gira em torno das relações pessoais de Ian Curtis com a esposa Deborah Curtis e a amante Annik Honoré, tendo como pano de fundo a ascensão da banda.

O Joy Division chegou a mim por outras bandas que foram influenciadas pelo som, pelas letras ou pela depressão carregada. O fato é que ninguém chega aos novo milênio sem gostar de rock e não saber quem foi os Joy Division, para isso é viver sem ter conhecido The Smiths ou Radiohead, por exemplo - só para citar um exemplo das décadas seguintes.

free music

DISCOGRAFIA
Aproveitando a estreia de Control, a Warner decidiu reeditar toda a discografia dos Joy Division. Mas a editora não se ficou por aqui, juntando a cada obra um cd-extra com uma actuação ao vivo da banda inglesa.

Unknown Pleasures (1979)
Bónus – Concerto no famoso e lendário club Factory, em Manchester, em Abril de 1980

Closer (1980)
Bónus – Actuação na University College of London, em Fevereiro de 1980

Still (1981)
Bónus – Performance no Town Hall, em High Wycombe, em Fevereiro de 1980

Control (2007)
Disponível está igualmente a banda-sonora oficial do filme de Anton Corbijn.
Alinhamento: New Order - Exit; The Velvet Underground - What Goes On; The Killers - Shadowplay; Buzzcocks - Boredom; Joy Division - Dead Souls; Supersister - She Was Naked; Iggy Pop - Sister Midnight; Joy Division - Love Will Tear Us Apart; Sex Pistols - Problems; New Order - Hypnosis; David Bowie - Drive-in Saturday; John Cooper Clarke - Evidently Chickentown; Roxy Music - 2HB; Joy Division - Transmission; Kraftwerk - Autobahn; Joy Division - Atmosphere; David Bowie - Warszawa; New Order - Get Out.

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terça-feira, 13 de novembro de 2007

prêmio grammy para cê, de veloso


Cê", de Caetano, foi escolhido como Melhor Álbum de Cantor-Compositor, superando os concorrentes Jorge Drexler ("12 Segundos De Oscuridad"), Amaury Gutiérrez ("Pedazos De Mí"), José Luis Perales ("Navegando Por Ti") e Silvio Rodríguez ("Érase Que Se Era") na votação do Grammy Latino.

Em Cê, Caetano abandonou o politicamente e encontrou a juventude em sua banda e principalmente no rock. Rebeldia? "Cê" é um disco polémico, feito de provocações. Como a repetição frenética de "estou-me a vir", o escabroso slogan sexual português. Imoral? O certo é que com este trabalho que acaba um prêmio Grammy Latino, Veloso deixou os sussurros de canções antigas.



O outro prêmio recebido por ele foi pela música "Não Me Arrependo", do álbum "Cê", eleita a Melhor Canção Brasileira.

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terça-feira, 6 de novembro de 2007

neon bible, um dos meus álbuns do ano


Por enquanto, a banda canadiana Arcade Fire ganha de longe uma das posições de melhor álbum do ano.

Escutar Arcade Fire é uma experiência. Pelo menos Funeral, o primeiro álbum da banda, foi a mim uma experiência sobria e melancólica. Já o segundo, Neon Bible, carrega em si um tom transcendental em uma espécie de música sacra pop que não é para qualquer um. Pode para alguns parecer um desastre, mas com estes canadianos funciona bem.

Não comparando com o primeiro (que sempre carrega a surpresa do novo, e aquela melancolia verdadeira), Neon Bible é tomada por baladas e momentos levemente dançantes que lembram os britânicos do New Order e Talkings Heads, mas com uma pitada canadiana de Montreal. E você, o que acha?


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sexta-feira, 2 de novembro de 2007

seu jorge com américa-brasil em portugal


Até dia 12 de Novembro em várias cidades, Seu Jorge apresenta "América Brasil", um disco que dá destaque aos instrumentos típicos do Brasil.

Começou ontem a disgressão de Seu Jorge por Portugal. Os espectáculos vão servir para apresentar o seu mais recente álbum "América Brasil" (ainda não está disponível no mercado português), um disco que saiu pela própria editora do Seu Jorge, Cafuné Gravadora, pela necessidade de ter "mais autoria e , ao mesmo tempo, estar mais à vontade quanto à gravação".

"América Brasil" é, sobretudo, um chamar de atenção para os problemas sociais do seu país, que apesar de estar situado na América do Sul, é mais conhecido "pela violência e corrupção".


Por isso mesmo, o novo álbum "fala bastante no trabalhador" - em palco cada um dos 19 músicos encarna uma profissão -, "descreve um pouco a rotina da burguesia e inclui a América Latina".

Já a sonoridade, "junta as energias dos dois discos anteriores". "Basicamente, o som dá espaço para instrumentos brasileiro, como o cavaquinho, o pandeiro e a cuíca, que habitualmente só são utilizados como elementos de fundo, sem conseguirem um merecido destaque.

Os shows em Portugal, do músico que um dia sonha ser economista, incluem as cidades de Estarreja (hoje), Guimarães (sábado), Porto (dia 7), Portalegre (dia 9) e Lisboa (dia 12 ). Só para a segunda data na cidade do Porto é que ainda há bilhetes disponíveis.

Jornal de Notícias

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sexta-feira, 26 de outubro de 2007

maria rita, sambista?



O novo CD de Maria Rita, “Samba Meu” já saiu em Portugal. O terceiro trabalho da cantora surpreende.

Maria Rita surpreende no seu terceiro CD, “Samba Meu”. Se nos outros trabalhos entrava numa linha mais melancólica, neste parece vaporosa logo nas primeiras músicas. Parece que de tão feliz resolveu colocar a escola de samba na rua. Ser diferente às vezes é bom, mas eu confesso que a preferia nas músicas mais contidas compostas pelo Marcelo Camelo e nos arranjos dos primeiros discos.

Além de não apresentar nada de novo, Maria Rita cantando samba despretensioso, quando outros cantores tentam revitalizar o samba, soa na verdade tão pretensioso quanto a Betty Carvalho gravar outra coisa sem ser samba (fique bem claro que eu gosto da Betty Carvalho). Parece que quer arriscando no seguro, expandir seus domínios. E sinceramente, ela posando de sambista, no visual, não tem nada a ver.

E você, o que acha deste trabalho?

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sexta-feira, 12 de outubro de 2007

mariza e o novo fado português


Assim como Vasco da Gama lançou-se a descobrir caminho pelo mundo, Mariza anda a espalhar o fado por este mesmo mundo descoberto.

O fado andava escondido em Portugal desde da morte de Amália Rodrigues e os portugueses podem até dizer que outras cantoras e cantores continuavam por aqui a cantar, e andavam, mas antes de Mariza eles se restringiam a estes pequenos muros portugueses.

O fado nasceu no século XIX nos distritos de Alfama e Mouraria onde moravam as famílias dos marinheiros e pescadores. Alguns musicólogos dizem que com a volta da família real do exílio no Brasil, muitos brasileiros e afro-brasileiros vieram a Lisboa e teria contribuído na formação deste género musical portugueses. A primeira fadista conhecida foi Maria Severa uma prostituta que teve um affair com o Conde de Vimioso que introduziu o fado na alta sociedade. Depois apareceu Amália Rodrigues que trouxe novas inspirações ao fado.


Mariza também carrega o mix do fado, filha de mãe moçambicana com pai português. Mariza é uma moçambicana com a alma moldada na Mouraria - “vivi num bairro típico de Lisboa e sempre cantei o fado, eu sei o que é, entendo-me nele” - foi neste bairro que ouviu os primeiros fadistas, muitos, tantos que não se recorda de todos os nomes e os seus rostos esfumam-se na memória, mas estas “reminiscências sobrevivem no meu cantar”. Fernando Maurício é uma das suas referências fadistas. Ao lado do vate da Mouraria, surgem Carlos do Carmo e Amália Rodrigues, três nomes a quem presta tributo no seu quarto álbum “Transparente”.

O seu último álbum, Mariza 'Concerto em Lisboa', foi indicado ao prémio Grammy Latino na categoria de álbuns tradicionais (melhor disco folk). Expandindo o fado para o mundo, Mariza é aquela que não tem a figura que costumamos ligar ao fado, além disso o canta com uma alegria a tristeza não vista nas outras cantoras, como se a própria vida manifestada na música fosse mais leve, mas não por isso menos intensa. Talvez ela traga uma nova inspiração ao fado que leve mais brasileiros a penetrar por outros mundos musicais além de estadounidense ou inglês, talvez nos leve a escutar a nova música portuguesa.


Mariza vai estar hoje à noite no programa Late Show With David Letterman, transmitido na CBS. Um dia depois, a fadista vai cantar na famosa sala de espectáculos Carnegie Hall, em Manhattan. A fadista encontra-se nos Estados Unidos da América para uma série de treze concertos. Durante esse tempo, vai também apresentar o filme «Fados».

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quarta-feira, 3 de outubro de 2007

um mix de sons familiares


Depois de Cesária Évora, nasce mais uma estrela das ilhas: Mayra Andrade, que carrega o som do mundo.

Tem músicas que invocam a saudade. Quando ouvi pela primeira Mayra Andrade, a sua música e sua voz me lembrou o Brasil. E Mayra Andrade em cima do palco até me pareceu brasileira, mas não o é, é antes cabo-verdiana, e sua música sofre estas influências que nos soa familiar nas harmonias populares latinas e africanas. O mix é fruto da localização das ilhas que ficam tão próximas ao continente africano, mas sofreu as influências europeias também.

Regasu, uma das músicas mais bonitas que escutei em anos (no vídeo), lembrou-me de leve o chorinho carioca, talvez porque a morna, ritmo cabo-verdiano (assim como o tango, é o ritmo argentino, ou o fado é o português) sofre, como o choro, influências da polka europeia e do lundum africano.



Sobre Mayra, ela é essencialmente uma cantora que viveu o mundo. Vive em Paris desde 2003, nasceu em Cuba, cresceu entre Senegal, Angola, Alemanha, tem amigas brasileiras. Estes ingredientes somados ao jazz, afro, e brasileiros e a uma banda multicultural dão outros reflexos à sua música que vêm do arquipélago.

O seu único álbum “Navega”, considerado pela crítica um dos melhores de 2006, é um barco carregado de saudade, daquela melancólica saudade de língua portuguesa. Vale a pena ouvir o "disco" todo.

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domingo, 23 de setembro de 2007

da matta em portugal

A cantora Vanessa da Mata volta aos palcos portugueses em Novembro onde apresenta seu terceiro álbum "Sim", lançado aqui em junho de 2007. Os dois espectáculos estão agendados para os Coliseus de Lisboa e do Porto, nos dias 15 e 16, respectivamente.

Vanessa da Mata é uma das intérpretes de uma das músicas mais rodadas este Verão nas rádios portuguesas, ‘Boa Sorte/Good Luck’ música em dueto que gravou com o norte-americano Ben Harper, e que é cantado em inglês e em português.


O que dizer quando acaba uma relação? É sobre isso que canta Vanessa da Mata e Ben Harper nesta música. A música faz parte do terceiro disco da artista, ‘Sim’, editado este ano e gravado entre a Jamaica e o Brasil. Um disco que é, nas palavras da autora, como que “uma resposta positiva à vida, uma resposta de luta”.




À venda nos locais habituais, os bilhetes para os espectáculos custam entre 20 e 27 euros nas duas cidades.

Fonte: Correio da Manhã

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terça-feira, 18 de setembro de 2007

brasil e portugal em festival viva américa



Os portugueses The Gift e o brasileiro Carlinhos Brown integram o elenco de artistas que participam, entre os dias 05 e 14 de Outubro, na edição inaugural do festival VivAmérica.

Nascido em 1994, os The Gift surgiram inicialmente como projecto paralelo dos Dead Souls, banda de então de Nuno Gonçalves e Miguel Ribeiro. De dois, os The Gift passaram a uma banda de quatro elementos com a entrada de Ricardo Braga e de Janita para vocalista, que permaneceria no grupo por um curto período e daria o seu lugar a Sónia Tavares, pouco tempo depois. Basicamente uma banda pop-rock, os The Gift cantam em inglês e português e fazem bastante sucesso em Portugal e, agora, em Espanha. Para quem não conhece vale a pena conhecer um pouco mais desta banda.

Carlinhos Brown, que transformará a capital madrilena no dia da iberoamérica com uma grande marcha, é cantor, compositor e um grande percussionista baiano. Carlinhos tornou-se um dos instrumentistas mais requisitados da Bahia no início da década de 80. Foi um dos criadores do samba-reggae e, em 1985, fez parte da banda de Caetano Veloso no disco Estrangeiro. Na década de 90 projetou-se nacional e internacionalmente como líder do grupo Timbalada.



O festival, que incluirá vários eventos culturais, tem previstos debates políticos e sociais sobre temas do espaço iberoamericano, nos quais deverão participar o primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero, responsáveis do governo madrileno e o ministro da Cultura brasileiro, Gilberto Gil.

Além dos The Gift e de Brown, estão ainda agendadas actuações do colombiano Carlos Vives, dos cubanos Van Van e Niños de Candeal, do mexicano Armando Manzanero e dos colombianos Aterciopelados.

O novo festival dará grande espaço à literatura ibero-americana com mais de 50 escritores, entre eles o peruano Alfredo Bryce Echenique, o colombiano Álvaro Mutis e o chileno Luis Sepúlveda; e ao cinema com exibição de obras de realizadores como o argentino Darío Grandinetti, o cubano Juan Carlos Tabío e o mexicano Arturo Ripstein.

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segunda-feira, 10 de setembro de 2007

quando britânicos e franceses se misturam aos anos 60



Chega agora nas lojas no Brasil (em Portugal já está nas lojas) o DVD “Sympathy for the Devil”. No clima de revolução dos anos 60, em 1968, deu-se o encontro entre a banda Rolling Stones e o cineasta francês Jean-Luc Godard.

O filme consiste em sequências dos Stones a gravarem em estúdio o tema Sympathy for the Devil, do álbum Beggars Banquet, intercalado com imagens típicas de Godard em que o activismo político esquerdista e o apelo à revolução são uma constante. O filme foi remontado e rebaptizado pelo produtor dos Stones como Sympathy for the Devil, porém, Godard renega essa versão, preferindo a original, a que chamou One Plus One.

Godard registrou o trabalho dos Rolling Stones em estúdio, a construir minuciosamente a canção “Sympathy for the Devil”, por meio de longos e lentos movimentos de câmera. A esse material, o cineasta da nouvelle vague coloca em cena os anos 60: integrantes do movimento negro norte-americano Black Panthers enunciando slogans e movimentando fuzis no cenário de um ferro-velho; Anne Wiazemsky (então mulher de Godard), como Eva Democracia, perambulando num bosque enquanto dá uma entrevista na qual suas únicas respostas são “sim” e “não”; um jovem declamando trechos de “Mein Kampf”, de Hitler, numa livraria especializada em pornografia e romances baratos; e Wiazemsky pichando em muros londrinos slogans como “cinemarxismo”, “sovietcongue”, “maoarte” e “freudemocracia”.

One Plus One, a versão de Godard, parece tratar-se de uma homenagem ao mundo musical e cultural do rock’n roll. Entretanto, a presença da formação liderada por Mick Jagger serviu para destacar o simbolismo dos acontecimentos políticos que faziam estremecer as democracias liberais, questionar o poder da burguesia e colocar a revolução cultural e política na ordem do dia. Os Rolling Stones eram, de certo modo, a personificação por excelência da contestação e da ideia revolucionária da mudança.

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