terça-feira, 16 de outubro de 2007

mostra de cinema brasileiro em lisboa


Entre os dias 19 a 21 de Outubro acontece no cinema São Jorge em Lisboa a 2.ª Mostra de Cinema Brasileiro para portugueses - e brasileiros - ver(em).

A 2ª Mostra de Cinema Brasileiro presta homenagem a importantes figuras do cinema brasileiro, entre as quais a actriz Glória Pires e os realizadores Daniel Filho e Jorge Furtado. Também na mostra, poderemos ver o representante brasileiro na corrida por uma indicação ao Oscar, “O ano em que meus pais partiram de férias”, de Cao Hamburguer.

A mostra conta no dia 19 com quatro filmes do realizador brasileiro Jorge Furtado e às 21h, uma mesa redonda com este importante director no cenário cinematográfico brasileiro deste início de século XXI.

No dia 20 a mostra será dedicada a actriz Glória Pires e o realizador Daniel Filme, com a apresentação de três filmes e uma mesa redonda com os dois. Já no dia 21 terá a apresentação além do filme de Hamburger, dos filmes Proibido proibir”, de Jorge Dúran; “ O Céu de Suely”, de Karim Aïnouz e “Dois Filhos de Francisco”, de Breno Silveira

O evento é organizado pela Fundação Luso-Brasileira, em co-produção com a EGEAC E.M.. A entrada é três euros e cinquenta cêntimos.

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sábado, 13 de outubro de 2007

búzios da minha adolecência, da minha inocência


Nenhuma viagem é igual a outra. Assim como nenhum lugar é conhecido de maneira igual. Búzios, foi daqueles lugares que eu conheci em minha adolescência. Porém, não é Búzios das festas e das ruas da loja que eu lembro, mas dos passeios a pé para as praias, mesmo as mais longínquas e das noites ao luar no deck da cidade.

Por ocasião do descobrimento do Brasil, armação dos Búzios era habitada pelos índios tamoios, que viviam da caça e da pesca. A sua posição estratégica, suas enseadas e a abundância de suas águas doces fizeram com que, na metade do século XVI, ela se tornasse ponto de abastecimento para navios piratas franceses a caminho do Rio de Janeiro. Os portugueses, após expulsarem os franceses, empossaram colonos, que se especializaram na cultura das bananas.

Dizem que a origem do nome deve-se ao fato de que o fundo do mar da região era rico em búzios e nas suas baías ancoravam navios que por ali passavam, permitindo-lhes organizar armações de pescarias antes de prosseguir viagem.


O interesse pelo local aumentou nos anos 60, com a chegada à cidade da atriz francesa Brigitte Bardot, então estrela de primeira grandeza do cinema internacional, que escolheu esta cidade para alguns dias de descanso. A partir daí, Búzios passou a fazer parte de roteiros especiais do turismo internacional e nunca mais voltou a ser a vila de pescadores que era. A cidade cresceu, os pescadores foram empurrados para fora da pequena vila, e suas vinte e três praias com ou sem ondas, rasas ou profundas, mornas ou frias, badaladas ou desertas, atendem a todas as exigências.

Particularmente gosto da praia da Tartaruga de águas verdes e calmas que relembram as grandes caminhadas com minha irmã, a praia da Ferradurinha pela beleza tranqüila, a da Ferradura pelas brincadeiras, a praia dos Ossos de fundo na fotografia, a do Forno, pequenina, para esquecer que estamos num lugar cool, mas principalmente a Azeda, refúgio fora do verão, de águas geladas, às vezes intragável ao banho, mas escondida e muitas vezes achada quando o objectivo era esquecer e lembrar.


E depois passear pelas ruas das Pedras, ver as pessoas sendo, vivendo, e viver e ser. Andar a beira da praia do Centro até encontrar a igreja antes da praia dos Ossos, que pela manhã tem a melhor vista de Búzios e encontrar pelo caminho a estátua de Bardot. E depois, na volta, se divertir na noite de Búzios que tem solução para todos os gostos e bolsos.

Como chegar: Amigos de Viagem
Dicas: Viaje Aqui


Fotos: Dulce Nascimento

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sexta-feira, 12 de outubro de 2007

mariza e o novo fado português


Assim como Vasco da Gama lançou-se a descobrir caminho pelo mundo, Mariza anda a espalhar o fado por este mesmo mundo descoberto.

O fado andava escondido em Portugal desde da morte de Amália Rodrigues e os portugueses podem até dizer que outras cantoras e cantores continuavam por aqui a cantar, e andavam, mas antes de Mariza eles se restringiam a estes pequenos muros portugueses.

O fado nasceu no século XIX nos distritos de Alfama e Mouraria onde moravam as famílias dos marinheiros e pescadores. Alguns musicólogos dizem que com a volta da família real do exílio no Brasil, muitos brasileiros e afro-brasileiros vieram a Lisboa e teria contribuído na formação deste género musical portugueses. A primeira fadista conhecida foi Maria Severa uma prostituta que teve um affair com o Conde de Vimioso que introduziu o fado na alta sociedade. Depois apareceu Amália Rodrigues que trouxe novas inspirações ao fado.


Mariza também carrega o mix do fado, filha de mãe moçambicana com pai português. Mariza é uma moçambicana com a alma moldada na Mouraria - “vivi num bairro típico de Lisboa e sempre cantei o fado, eu sei o que é, entendo-me nele” - foi neste bairro que ouviu os primeiros fadistas, muitos, tantos que não se recorda de todos os nomes e os seus rostos esfumam-se na memória, mas estas “reminiscências sobrevivem no meu cantar”. Fernando Maurício é uma das suas referências fadistas. Ao lado do vate da Mouraria, surgem Carlos do Carmo e Amália Rodrigues, três nomes a quem presta tributo no seu quarto álbum “Transparente”.

O seu último álbum, Mariza 'Concerto em Lisboa', foi indicado ao prémio Grammy Latino na categoria de álbuns tradicionais (melhor disco folk). Expandindo o fado para o mundo, Mariza é aquela que não tem a figura que costumamos ligar ao fado, além disso o canta com uma alegria a tristeza não vista nas outras cantoras, como se a própria vida manifestada na música fosse mais leve, mas não por isso menos intensa. Talvez ela traga uma nova inspiração ao fado que leve mais brasileiros a penetrar por outros mundos musicais além de estadounidense ou inglês, talvez nos leve a escutar a nova música portuguesa.


Mariza vai estar hoje à noite no programa Late Show With David Letterman, transmitido na CBS. Um dia depois, a fadista vai cantar na famosa sala de espectáculos Carnegie Hall, em Manhattan. A fadista encontra-se nos Estados Unidos da América para uma série de treze concertos. Durante esse tempo, vai também apresentar o filme «Fados».

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quinta-feira, 11 de outubro de 2007

matriz lusa em exposição no rio de janeiro


A partir de 11 de outubro podemos conhecer um pouco da nossa matriz portuguesa e do Portugal pré-1500 em exposição “Lusa - a matriz portuguesa” no Centro Cultural Banco do brasil do Rio de Janeiro.

Em comemoração aos 200 anos da chegada da família real portuguesa ao Brasil que será em 2008 uma série de eventos serão realizados. Neste mês será inaugurada no Rio de Janeiro a exposição “Lusa - a matriz portuguesa”. São mais de 160 peças de 43 instituições portuguesas que pela primeira vez fazem parte de uma mostra na capital fluminense.

A exposição acontecerá entre 18 de outubro e 10 de fevereiro de 2008 no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), no Rio de Janeiro. Esta mostra faz parte de uma trilogia criada pelo CCBB, iniciada com “Arte da África”, e continuada com “Antes - Histórias da Pré-História”. Agora ela prossegue trazendo os portugueses na formação da cultura brasileira.

Tratando das origens de Portugal, desde a pré-História até 1500, abordando povos antigos, o domínio romano, a presença cristã, judaica e árabe, o período de formação das fronteiras do país, até ao apogeu da era dos descobrimentos marítimos.

Para contar tudo isso, a exposição traz peças em mármore, pedra, ouro, azulejo, pintura, escultura, achados arqueológicos, mapas, além dos elementos multimídia sobre a formação da língua portuguesa, a arquitetura e a paisagem portuguesa.

A produção desta exposição está a cargo de especialistas brasileiros e tem a curadoria a cargo de responsáveis por museus portugueses e outras entidades públicas e privadas de Portugal, como a Biblioteca Nacional, a Torre do Tombo e a Fundação Calouste Gulbenkian.

A mostra conta com 39 tesouros nacionais de Portugal, que nunca atravessaram o Atlântico e, muitos deles, jamais deixaram o país, e para isso receberam autorização expressa da Ministra da Cultura de Portugal, Isabel Pires de Lima. Exemplos disso são um guerreiro celta de granito (provavelmente do século I a.C), com quase dois metros de altura, e uma tonelada; e o torques, um colar de ouro maciço, em forma de ferradura, usado por esses guerreiros.

O Museu Nacional de Arqueologia é o que enviou mais peças para a mostra, entre elas, um esqueleto humano proveniente de Alcácer do Sal. Do Museu Nacional de Arte Antiga, o público poderá ver uma escultura da Santíssima Trindade em pedra, datada dos séculos 15-16, e uma escultura da Virgem com o Menino Jesus em calcário policromado, datada de 1450-1475.

“Lusa – A Matriz Portuguesa” busca levar o público a uma fascinante imersão nas origens de Portugal, desde a pré-história até 1500, abordando os povos antigos, o domínio romano, as presenças cristã, judaica e árabe, o período de formação das suas fronteiras, chegando ao apogeu do país, com a era dos descobrimentos.
A mostra será composta de peças em pedra, mármore, cerâmica, ouro, azulejos, pinturas, esculturas, achados arqueológicos, mapas e componentes multimídia sobre a formação da língua portuguesa, bem como a arquitetura e a paisagem de Portugal.

No centro da rotunda haverá uma instalação construída em torno de uma das únicas palavras que permaneceram na língua desde o período mais ancestral, anterior à chegada dos romanos: cama. Uma gigantesca cama sonora de 32 metros quadrados permitirá que os visitantes, deitados nela, escutem as diversas sonoridades lingüísticas que formam o universo da língua portuguesa, como o árabe, o latim, as raízes indo-européias, e palavras indígenas do Brasil e africanas.

No primeiro andar estarão as salas históricas, abordando os períodos e influências religiosas: Pré-história, Romano, Alta Idade Média, Islâmico, Cristão e Judeu. Há ainda um ambiente, o Pátio, que serve como sala para consulta de referências literárias e musicais, assim como espaço educativo e painel com linha do tempo organizada.

No segundo andar estarão as salas temáticas, que abordam assuntos que foram centrais na história portuguesa: as Descobertas Científicas, os Descobrimentos e a importância do Comércio e da Língua. A narrativa dos fatos históricos, linear e cronológica que existia no primeiro andar ganha nesse andar um sentido transversal e interdisciplinar.

No espaço dedicado à Língua e ao Comércio, grandes estantes cobrirão três paredes, contendo potes de vidro com produtos, materiais, alimentos e especiarias que marcaram a história do comércio do país, e se tornaram elementos cotidianos imprescindíveis na sociedade e na língua.

Os potes têm legendas com o nome do conteúdo, o significado, a etimologia e seu aporte cultural. Na quarta parede, outra grande estante conterá livros fundamentais para entendermos a formação lingüística e cultural do português, como os “Lusíadas” e “A formação do Estado de Portugal”, primeiro documento escrito em português. São edições fac-símiles que o publico pode consultar livremente.

Ainda no segundo andar haverá um espaço dedicado à projeção de vídeos com depoimentos de expoentes historiadores, arqueólogos e lingüistas que explicam e colocam em perspectiva a formação de Portugal e sua matriz miscigenada, tendo ao fundo imagens dos lugares, paisagens, objetos e obras de referência que ilustram o riquíssimo roteiro da mostra.

Os curadores da exposição são Jorge Couto (Descobrimentos), Ivo Castro (Língua), Cláudio Torres (Medieval islâmico), Luís Raposo (Pré-História), Conceição Lopes (Período Romano), Santiago Macias e Paulo Almeida Fernandes (Paleocristão/visigótico), Maria José Ferro Tavares (Judeus) e José Custódio Vieira da Silva (Medieval cristão).

Fonte: CCBB

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